Os seres humanos têm maior capacidade de acumular gordura corporal do que os primatas. Tudo porque a linhagem humana sofreu uma aceleração do metabolismo para garantir o desenvolvimento do cérebro e uma reprodução mais rápida.

Um estudo conduzido por Herman Pontzer, um investigador no Hunter College da City University de Nova York, e publicado na revista Nature, analisou a taxa metabólica basal, que é a energia gasta pelo corpo em repouso e é determinada por grandes órgãos como o cérebro, o fígado ou os intestinos, nos seres humanos e nos primatas. 

Os resultados revelam que os seres humanos consomem em media 400 quilocalorias a mais do que os chimpanzés, 635 a mais do que os gorilas e 820 a mais que os orangotangos.

Este elevado consumo de energia é o que permite manter um cérebro muito exigente, comparado com os outros hominídeos. De acordo com o estudo, "a máquina de alto consumo" que é o cérebro teve vários efeitos secundários na anatomia humana e por isso, o corpo humano tem uma grande capacidade de acumular gordura para assegurar que o cérebro não fica sem combustível.

Foi descoberto que os humanos têm maior percentagem de gordura corporal mesmo quando comparados com os chimpanzés que vivem em cativeiro. 

Por exemplo, os chimpanzés, nossos ancestrais mais próximos, não acumulam gordura, mesmo tendo uma vida muito sedentária nos jardins zoológicos", revela o estudo.

A percentagem de gordura corporal é maior nas mulheres (41,1%) do que nos homens (22,9%) devido a necessidades fisiológicas como a menstruação, a gravidez ou a amamentação.

Se pudermos descobrir como eles fazem isso, poderíamos usar esse conhecimento para reduzir o acumular de gordura em seres humanos", conclui o estudo.

Os autores do estudo pretendem que o seu trabalho possa ajudar a solucionar os problemas metabólicos da sociedade, onde a capacidade de acumular gordura a par dos registos de obesidade se tornaram numa ameaça para a saúde pública.