Afinal, parece que os cigarros eletrónicos são bons. Ou melhor, são menos maus. A Academia Real de Medicina britânica concluiu que há "amplas provas" de que estes dispositivos são "mais seguros" do que os cigarros normais e até podem ajudar a deixar de fumar.

De acordo com a imprensa britânica, o relatório de 200 páginas da Academia Real de Medicina, agora divulgado, é uma das análises mais completas dos dispositivos controversos e das tentativas de esclarecer a opinião dividida e os conselhos contraditórios que têm sido dados acerca da sua utilização. Contrariamente às preocupações que têm sido manifestadas, o relatório conclui que os cigarros eletrónicos não funcionam como uma "porta de entrada" para os não fumadores começarem a fumar e que a maioria das pessoas que os utilizam já tinha o hábito de fumar há muito tempo.

"Entre os fumadores, o uso de cigarro eletrónico é suscetível de conduzir a tentativas de deixar de fumar que de outra forma não teriam acontecido, e uma percentagem destas tentativas acaba por ser bem-sucedida. Desta forma, os cigarros eletrónicos podem agir como uma porta de entrada para deixar de fumar ", refere o relatório.

Os autores do relatório concluem que "os cigarros eletrónicos são suscetíveis de ser benéficos para a saúde pública no Reino Unido. Os fumadores podem, portanto, ficar tranquilos quanto ao seu uso e o público pode estar certo de que os cigarros eletrónicos são muito mais seguros do que fumar. "

Citado pelo jornal britânico Independent, o professor John Britton, que preside à Academia Real de Medicina britânica realçou que “o uso crescente de cigarros eletrónicos em substituição do fumo do tabaco tem sido um tema de grande controvérsia, com muita especulação sobre os riscos e benefícios potenciais”.

Este relatório elimina quase todas as preocupações em relação a estes dispositivos… Os fumadores devem ser tranquilizados e acreditar que o cigarro eletrónico pode ajudá-los a deixar de fumar para sempre”, defendeu.

O professor Jane Dacre, também da Academia Real de Medicina britânica, acrescentou que há uma "oportunidade para melhorar as vidas de milhões de pessoas" se os cigarros eletrónicos “forem cuidadosamente geridos e proporcionalmente regulados”.

Calcula-se que 2,1 milhões de britânicos utilizem cigarros eletrónicos e o número está sempre a aumentar. Desde a sua introdução, em 2007, os cigarros eletrónicos foram comercializados como dispositivos de sucesso para resgatar os fumadores da dependência da nicotina, pois proporcionam a sensação e a prática de fumar, enquanto fornecem doses menores de nicotina. Mas os opositores argumentam que os cigarros eletrónicos podem incentivar as crianças ou não fumadores a começar a fumar por se tratar de uma forma mais leve de “viciar”, antes de se mudar para os cigarros tradicionais e mais prejudiciais.

No geral, refere o Independent, no Reino Unido, o uso do cigarro está em declínio lento, mas constante. Atualmente, 18,7% dos adultos são fumadores: é a menor taxa desde que se fazem registos. As campanhas de sensibilização de saúde pública, o aumento dos custos do tabaco e a mudança de atitudes sociais são outros fatores que também contribuem para a mudança.