Um estudo publicado no “ New England Journal of Medicine”, esta quinta-feira, levanta novas questões sobre o valor das mamografias, numa altura em que os Estados Unidos não estão a registar reduções na taxa de cancros da mama, que já se tinham espalhado para outras partes do corpo antes de terem sido encontrados.

O relatório foi feito por três especialistas e baseia-se em estatísticas federais que remontam à década de 1970.
 
A revelação surge uma semana depois de a American Cancer Society ter revisto as recomendações sobre a realização de mamografias, determinando que a maioria das mulheres deve começar a fazer mamografias anuais a partir dos 45 anos e não dos 40 como acontecia anteriormente, passando para dois em dois anos após os 55 anos. Por outro lado, o governo norte-americano recomenda que as mulheres só devem passar a fazer o exame de dois em dois anos após os 50 anos.

"Estamos a passar para o público o que penso ser um debate muito confuso sobre as mamografias mas foi necessário fazer uma «correção no rumo»,  que tem maior consideração pelos riscos e benefícios para os vários grupos de mulheres. Durante anos, as pessoas só ouviram que havia benefícios", disse o Dr. H Gilbert Welch, um especialista em política de saúde na Dartmouth Medical School.

 
 

"A imagiologia permite que o cancro seja detetado numa fase ainda precoce e localizada, sendo o tratamento mais favorável. Esta ideia assume que o cancro começa num lugar, cresce e espalha-se. Se isso fosse sempre assim, a mamografia iria reduzir a taxa de cancros avançados”, afirma.


As tendências sugerem que alguns cancros da mama são "sistémicos", ou distribuem-se rapidamente desde o início, levando a que tenha pouca utilidade encontrá-los precocemente. 

No entanto, a taxa de cancro da mama detetado num estágio mais avançado tem-se mantido estável desde 1975, apesar da grande utilização da mamografia a partir de 1980, diz o estudo. A idade média das mulheres diagnosticadas com a doença tem-se mantido nos 63 anos.