O professor Adrian Hill, da Universidade de Oxford, Inglaterra, tem um sonho: acabar com a malária. Um sonho que pode salvar quase meio milhão de vidas por ano. Um sonho que, se concretizado, pode abrir portas para a eliminação de oito doenças, incluíndo o HIV, o ébola e o cancro.

Diretor do Jenner Institute, Hill está a desenvolver um novo tipo de vacina, pensada para eliminar ativamente doenças. Diferente das atuais, que “enganam” o sistema imunitário ao fazê-lo “pensar” que está infetado - de forma a que sejam criados anticorpos capazes de combater uma infeção futura real -, a vacina de Hill pretende ativar os glóbulos brancos T, capazes de destruir células infetadas e cancerígenas.

[A vacina] está a ser avaliada para ser usada contra o cancro, a hepatite C, e já a usámos contra o ébola e o HIV. Estão a ser desenvolvidos testes clínicos recorrendo a este método contra oito doenças diferentes.”, afirmou à CNN.

Hill não está a coordenar todos os testes, mas foi ele quem coordenou a fase experimental contra o ébola durante a epidemia de 2014, e está a trabalhar numa contra o vírus Zika.

Em entrevista à cadeia norte-americana CNN, Hill explicou que esta abordagem acontece porque a vacinação tradidional não é eficaz contra a malária, a doença que ficou determinado a eliminar depois de uma visita à Rodésia (agora Zimbabué) quando tinha apenas 20 anos - altura em que observou na primeira pessoa o quão devastadora pode ser a doença.

Os números de 2015 não se comparam aos de uma década, quando cerca de um milhão de pessoas morriam todos os anos com a doença, mas, ainda assim, 430 mil mortos e 214 milhões de infetados continua a ser um número demasiado elevado.

O problema com a vacina de Hill é que para ser eficaz teria de desencadear a formaçao de cerca de 2.000 células T, o que obrigou ao desenvolvimento de uma nova fórmula: uma combinação de dois vírus modificados com ADN do parasita da malária.

A vacina é injetada em duas fases: uma para preparar o corpo, outra para desencadear a resposta imunológica. Testes em laboratório, com ratos, revelaram-se 100% eficazes e protegeram os animais da doença.

Seguiram-se os testes em humanos. A reportagem da CNN conta que a vacina do professor foi testada em 121 adultos no Quénia, onde revelou uma taxa de sucesso de 67% durante oito semanas após a vacinação.

“Provavelmente um dos melhores resultados de sempre nesta área”, afirmou.

Lembro-me quando vi os primeiros resultados [da nova fórmula], não em humanos, mas nos ratos. De repente, de resultados nulos passámos a ter todos os ratos protegidos. Foi um momento memorável, em 1996, e eu sabia que tínhamos algo bom.”

Hill espera ter os testes em humanos finalizados em 2022, para que a vacina possa finalmente ser licenciada em 2025.

Questionado sobre se acredita que a doença pode ser erradicada graças ao seu trabalho, Hill mostra-se otimista.

Veremos em 2025. Parece que pode ser possível, achamos que isto pode funcionar”.