O Observatório Europeu do Sul (OES) assinou esta quarta-feira o contrato para a construção da cúpula e estrutura do maior telescópio ótico do mundo, no valor de cerca de 400 milhões de euros. Portugal é um dos estados-membros do Observatório Europeu do Sul, tendo confirmado a sua participação na construção do E-ELT em 2013. O país contribuirá, até 2023, com 5,1 milhões de euros, o correspondente a cerca de 0,5 por cento do custo total do telescópio.

O contrato foi assinado na Alemanha e, segundo uma nota do OES, trata-se do "maior contrato alguma vez assinado para a astronomia terrestre".

O Telescópio Europeu Extremamente Grande (European Extremely Large Telescope, E-ELT), que tem 'cunho' português em dois dos seus principais instrumentos, deverá ficar operacional em 2024, no Chile.

 

 

O contrato, estabelecido com duas empresas italianas, abrange a conceção, o fabrico, o transporte, a construção, a montagem no local e a verificação da cúpula e da estrutura do telescópio terrestre.

O OES espera que a construção da cúpula do telescópio se inicie no próximo ano. O E-ELT está a ser construído no Cerro Armazones, no deserto chileno do Atacama, a 3.000 metros de altitude, tendo a estrada de acesso e o nivelamento do cume sido já concluídos.

A cúpula tem quase 80 metros de altura, e a área total da sua base equivale à de um campo de futebol. O 'céu' do telescópio terá, ainda, 85 metros de diâmetro, movimento giratório e pesará cerca de cinco mil toneladas.

O E-ELT, que trabalhará no registo ótico e infravermelho, com um espelho segmentado de 39,3 metros de diâmetro, permitirá estudar detalhadamente os primeiros objetos do Universo, planetas em órbita de outras estrelas, buracos negros de massa extremamente elevada e a natureza e a distribuição da matéria escura e da energia escura, assim como caraterizar planetas extrassolares (fora do Sistema Solar) com a mesma massa da Terra.

O Observatório Europeu do Sul assinala que o "sistema de ótica adaptativa" do E-ELT facultará imagens "cerca de 15 vezes mais nítidas" do que as obtidas pelo telescópio espacial ótico Hubble, das agências espaciais norte-americana NASA e europeia ESA, "no mesmo comprimento de onda" eletromagnética.

O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) está envolvido no desenho dos componentes-chave tecnológicos do espectrógrafo HIRES e na definição dos objetivos científicos para o espectrógrafo MOS.

De acordo com o IA, o E-ELT terá "precisão suficiente" para "medir em tempo real a aceleração da expansão do Universo".

O espectrógrafo de alta resolução HIRES "irá observar, com grande precisão, objetos individuais no visível e no infravermelho", permitindo "procurar indícios de vida através da análise da atmosfera de exoplanetas [planetas extrassolares], estudar a evolução de galáxias e identificar a primeira geração de estrelas que se formaram no Universo primitivo, ou determinar se as constantes do Universo variam ao longo do tempo".

Por sua vez, o espectrógrafo multiobjectos MOS possibilitará, "através de rastreios de alta precisão de vastas áreas do céu, no visível e no infravermelho", a "investigação da formação das primeiras galáxias e de como estas se juntaram em estruturas maiores, como a Via Láctea".

Além disso, auxiliará no estudo da "distribuição da matéria normal e da matéria escura no Universo, ou de como os exoplanetas se formam e evoluem".

As empresas portuguesas Critical Software e ISQ também estão envolvidas no projeto.

A construção do E-ELT, em duas fases, foi aprovada pelo OES em 2014. A primeira fase está orçada em cerca de mil milhões de euros, que cobrem os custos da estrutura principal do telescópio.