A ‘startup’ francesa Lifeina, que pretende ser líder mundial no transporte e armazenamento de medicação, venceu o concurso para estas empresas em fase inicial na conferência de tecnologia Web Summit, em Lisboa, foi hoje divulgado.

O anúncio foi feito pela presidente do júri do ‘pitch’ (apresentação curta), Daniela Gerd tom Markotten, no palco central do evento, na Altice Arena.

Acompanhada em palco pelo fundador do evento, Paddy Cosgrave, Daniela Gerd tom Markotten disse que a decisão do júri segue “completamente em linha” com a dos participantes do evento (que pesou 25%), manifestada através de uma sondagem na aplicação móvel da Web Summit.

“Este ano tivemos um quarto membro no júri, vocês”, afirmou Paddy Cosgrave, dirigindo-se à audiência.

Na votação, 52% dos mais de 2.000 participantes escolheram a Lifeina como favorita, em detrimento das ‘startups’ Jauntin, que aposta em seguros à distância, e Watr, que visa a monitorização da qualidade da água da torneira.

Por seu lado, a Lifeina criou um frigorífico portátil para o transporte de medicamentos a temperaturas que variam entre os dois e oito graus centígrados.

O patrocinador do ‘pitch’ é a Mercedes Benz, que garante a esta ‘startup’ vencedora um prémio de 50 mil euros e o acesso ao programa de incubação promovido pelo fabricante alemão de automóveis.

Quando subiu ao palco para receber o prémio, o fundador e presidente executivo da Lifeina, Uwe Diegel, disse “sonhar com um mundo em que Donald Trump não era Presidente dos Estados Unidos e no qual há paz”.

A analogia serviu para Uwe Diegel afirmar que “ter um sonho é fácil, toda a gente tem, [mas] concretizá-lo não é o mesmo”.

“E eu não conseguia cumprir o meu sem a minha equipa”, adiantou.

 A startup já tem 8.700 pré-reservas para o 'mini frigorífico' portátil para medicamentos que custa pelo menos 150 euros, segundo o fundador.

Falando em conferência de imprensa, o presidente executivo da ‘startup’ francesa Lifeina, Uwe Diegel, indicou que o objetivo é vender o equipamento “em todos os países do mundo”, havendo já um total de 8.700 pré-reservas.

Uwe Diegel precisou que, para já, a Lifeina vai começar por apostar em países como os Estados Unidos, a Austrália e os europeus, por já saber “como funcionam”. Em 2019, o objetivo é passar a disponibilizar este equipamento na Ásia e na América Latina, apontou.

De acordo com o responsável, os preços “variam entre 150 e 250 euros”, dependendo do que o ‘pack’ traz – se apenas uma bateria ou mais e quais os acessórios.

A ideia para criar este ‘mini frigorífico’ portátil surgiu ao início por brincadeira para poder armazenar medicação do seu irmão, evitando colocá-la no frigorífico doméstico, confidenciou Uwe Diegel.

“É um negócio acidental”, admitiu, sustentando, ainda assim, que “os melhores projetos são guiados por necessidades”.

Notando que a percentagem de pessoas que usa este tipo de medicação está a aumentar em todo o mundo, vincou que o equipamento se dirige a vários tipos de doenças, entre as quais cancro e esclerose múltipla.

“O maior problema é que as pessoas que sofrem destas doenças e querem continuar a trabalhar, não conseguem levar os medicamentos com elas e acabam por deixá-los em casa, tomando só quando regressam, e isso cria um efeito ioiô”.

Este equipamento, que é recarregável, permite resolver esse problema e também monitorizar a temperatura da medicação e ainda avisa o paciente para tomar os medicamentos.

A longo prazo, o objetivo é criar um equipamento de maiores dimensões para o transporte de órgãos, adiantou.

A Web Summit, que decorreu desde segunda-feira no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), termina hoje.

Segundo a organização da Web Summit, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.