A indústria láctea produz cerca de 700 toneladas de leite por ano. Quase 90% é leite de vaca, mas há outros animais que são fonte de produção deste alimento, tais como as cabras, búfalos, ovelhas, camelos, alpacas, lamas e alces. Há, no entanto, um animal cuja produção de leite não conta para as estatísticas da indústria: o Homem.

Todos os mamíferos produzem leite, mas há condicionantes que alteram a sua composição de animal para animal. O leite não é todo igual. Uma vez que cada espécie tem diferentes necessidades nutritivas, também a composição do leite de cada animal difere. Apesar de terem ingredientes semelhantes, surgem em proporções distintas, alterando a composição. 

O leite de foca, por exemplo, é composto por 61% de gordura e apenas 5% de proteínas e 1% de açúcares, para que seja possível a estes mamíferos transferirem rapidamente para as suas crias os nutrientes necessários para enfrentarem as temperaturas negativas do seu habitat. Por outro lado, os animais que vivem em ambientes mais quentes podem amamentar as crias durante mais tempo, onde é administrada uma quantidade semelhante de nutrientes, mas em pequenas doses. É o caso dos rinocerontes, cujo leite contém apenas 0,2% de gordura.

O leite humano encontra-se entre os dois extremos, havendo um equilíbrio entre as necessidades nutritivas da mãe e do bebé.

Os recém-nascidos, recebem do peito da mãe um leite pouco gordo. Assim sendo, o leite materno é composto por 4% de gordura, 1,3% de proteína e 7,2% de lactose. Tudo o resto é água.

Qual o leite mais parecido com o humano?

Investigações das antropólogas Katie Hinde e Lauren Milligan descobriram semelhanças na composição do leite humano e no leite das zebras. A explicação: os humanos requererem um leite mais diluído devido a um processo de desenvolvimento lento e as zebras precisam de muita água por se encontrarem num meio ambiente quente e seco. Assim sendo, apresentam basicamente a mesma composição, mas com objetivos distintos.

A BBC cita ainda outro trabalho científico. Um estudo de Amy L. Skibiel, da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, compilou estatísticas do leite produzido por 130 espécies de mamíferos e concluiu que as espécies com vínculos evolutivos mais próximos tendem a produzir leite com composições semelhantes. Para além das relações de parentesco entre as espécies, o período de amamentação também influencia a composição do leite, bem como o tipo de dieta que cada mamífero pratica.