Os cientistas voltaram a medir a fenda que ameaça a quarta maior plataforma de gelo na Antártida e o resultado é impressionante: entre março e agosto a fissura cresceu 22 quilómetros. 

No total, a rutura da plataforma Larsen C tem já 130 quilómetros.

A queda do bloco poderá dar origem a um iceberg do tamanho do estado norte-americano de Delaware (uma área superior ao distrito de Lisboa e do Porto juntos) e tiraria a estabilidade de uma área gelada ainda maior, de dimensões equivalentes a todo o território da Escócia.

Para os especialistas, questão já nao é se a plataforma vai cair, mas sim quando vai cair. Segundo os cientistas do projeto MIDAS, responsáveis pela análise dos impactos da exploração mineral do fundo do mar e pela promoção da criação de ferramentas que reduzam esses impactos, este fenómeno da criação de icebergs é algo imprevisível.

Assim, espera-se que entre 10 a 12% da plataforma de gelo designada Larsen C venham a cair, deixando a restante parte mais vulnerável ao derretimento provocado pelo aumento das temperaturas do ar e da água.

A equipa de investigação do projeto MIDAS tem acompanhado o processo de crescimento da fenda desde 2011.

A plataforma Larsen C é a maior das que restam da península da antártida e, segundo a declaração à Mashable de Martin O'Leary, um dos investigadores que é também professor na Universidade de Swansea, no Reino Unido, "o último grande iceberg resultante da Larsen C foi criado em 1988 mas surgiu a partir de uma área que já estava praticamente dentro de água, enquanto este pedaço vai retirar uma grande parte ao corpo da plataforma".

Espera-se ainda, segundo os cientistas, que este seja o maior fenómeno de formação de um iceberg na Antártida desde 2000, o terceiro maior desde que há registos e o maior desta plataforma.