A sonda espacial europeia Rosetta chegou, às 09:29 desta quarta-feira ao ponto de encontro com o cometa Tchourioumov-Guérassimenko, que irá seguir na sua viagem até ao sol, anunciou a Agência Espacial Europeia (AEE).

«Ela chegou ao cometa», anunciou Sylvain Lodiot, o responsável pelas operações de voo da Rosetta na AEE, desde o centro de controlo de Darmstadt, no centro da Alemanha. Este é o primeiro dispositivo espacial a conseguir orbitar um cometa.

A sonda espacial percorreu seis biliões de quilómetros pelo espaço, numa viagem que durou 10 anos, antes de alcançar o cometa, que se encontra atualmente a 400 milhões de quilómetros da Terra, constituído por gelo, rocha e pó, e que poderá lançar uma nova luz sobre como os planetas se formam.

Em novembro uma pequena sonda robô, denominada Philae, vai ser lançada da Rosetta em direção ao cometa, tratando-se da primeira vez que um dispositivo de origem humana aterra num cometa.

O diretor geral da AEE, Jean-Jacques Dordain saudou o feito, fruto de 20 anos de trabalho, desde a construção, lançamento da sonda de três toneladas e chegada ao seu destino.

«A Rosetta é uma missão única, única pelo seu objetivo científico», afirmou Dordain, adicionando que «conhecer as nossas origens é a melhor maneira de conhecer o nosso futuro».

Lançada em março de 2004, a sonda teve que orbitar a Terra e Marte por quatro ocasiões, usando a força gravitacional dos planetas para a impulsionar de encontro ao cometa.

A sonda entrou num período de hibernação de 31 meses assim que a luz solar se tornou fraca para os painéis solares que lhe fornecem energia.

A hibernação acabou em janeiro deste ano, altura em que iniciou uma série de manobras complicadas de modo a poder abrandar e acompanhar o cometa. A última manobra foi um pequeno disparo de aceleradores que durou seis minutos e 26 segundos às 09 horas de hoje.

«Estes disparos vão iniciar uma serie de trajetos triangulares ao longo do cometa», informou a EAA.

Estes trajetos triangulares irão posicionar a sonda a cerca de 100 quilómetros de distância do cometa, afirmou Lodiot. Cada percurso do triângulo terá aproximadamente 100 quilómetros e levara à Rosetta entre 3 a 4 dias a percorrer.

Astrofísicos afirmam que os cometas são formados por gelo e pó antigo que restou da construção inicial do sistema solar, à cerca de 4,6 biliões de anos. Estes objetos estelares são o material mais antigo e menos explorado da nossa vizinhança espacial.

Os cientistas esperam que perceber a sua composição química e física dê novas pistas sobre como os planetas se formaram após o Sol ter começado a brilhar.