Em Singapura está a ser desenvolvida uma tecnologia de simulação do paladar - a simulação dos sabores!, para ajudar quem sofre de cancro e outras doenças a recuperar o apetite. Com doses controladas de eletricidade na língua, os cientistas conseguiram recriar a sensação de «amargo», «salgado», e «ácido», e agora continuam a trabalhar em busca de sabores mais complexos, de maneira a conseguir estimular as papilas gustativas danificadas.

A maior parte das pessoas toma o sentido do paladar por garantido. Mas algumas, como os doentes de cancro que passaram por tratamentos de quimioterapia, perdem mesmo o paladar, e por causa disso, perdem também o apetite. Na Universidade Nacional de Singapura, há uma equipa à procura de soluções para essas pessoas.

«Elas precisam de ser encorajadas a comer mais, e de reforçar a ingestão de proteínas e outros nutrientes, mas nada lhes sabe bem. E acreditam que se voltarem a sentir a diferença entre o ácido e o amargo e o salgado poderão melhorar o apetite», diz Ellen Do, do KEIO, Centro de Pesquisa Internacional da Universidade de Singapura.

Ellen Do e a sua equipa estão a construir aquilo a que chamam um «simulador de paladar». É um sistema que recria os diferentes sabores, fazendo passar correntes elétricas pela língua. A corrente necessária é gerada por um elétrodo de prata, que depois tem uma garrafa ou um qualquer recipiente com água numa ponta, e uma fonte de energia na outra, reativando os recetores danificados do paladar que existem na língua. Aparentemente, se experimentarmos diferentes potências elétricas e variarmos a temperatura do elétrodo, torna-se possível recriar os diferentes sabores.

«Não senti que fosse artificial. Soube-me a água salgada, a um qualquer líquido ácido. Não senti nenhum choque elétrico nem nada que pareça. Era só um pouco como se estivesse a saborear uma placa de metal temperada com sabores ácidos ou amargos», conta a dirigente desportiva, Mahrunisa Fathiyah, de 25 anos.

A equipa já consegue reproduzir fielmente o «amargo» e o «ácido». As sensações de «doce» e «salgado» ainda são um trabalho em curso.

«Temos muitos pedidos. As pessoas querem sabor a Coca-Cola, a chocolate, a queijo, o que seja. Mas ainda não chegámos tão longe. A nossa consolação é a de que pelo menos estamos a explorar os sabores mais primários», sublinha Ellen Do.

Assim que esses paladares estejam completamente apurados, a equipa espera poder avançar para sabores mais complexos com este simulador do paladar, ressuscitando o apetite de quem mais precisa.

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