Nos últimos tempos muito se tem falado do «grafeno». O grafeno é 200 vezes mais resistente que o aço, e todavia é extremamente leve! Tão leve, que podemos equilibrar um tijolo de grafeno em cima de uma flor sem lhe fazer mal. É também um excelente condutor térmico e elétrico, mais eficaz do que qualquer outro material comparável. Na Universidade de Manchester os investigadores chamam-lhe «a primeira maravilha do século XXI, e acreditam que o trabalho que andam a fazer com o grafeno vai revolucionar as nossas vidas.

«É o material mais resistente do mundo, e o mais fino. É flexível, é extensível, é transparente, é extremamente leve. É o melhor condutor de calor e eletricidade que conhecemos. Não há uma razão que o torne extraordinário, há imensas. E tudo reunido num só material», diz Aravind Vijayaraghavan, líder do Projeto de Pesquisa do Grafeno da Universidade de Manchester.

Dos preservativos ao tratamento do cancro, dos ecrãs tácteis flexíveis às baterias capazes de carregar aviões em questão de segundos, o potencial do grafeno é praticamente ilimitado. Há até quem fale de dessalinização. Entre os primeiros a beneficiar das suas vantagens estão os jogadores de ténis. Novak Djokovic e Andy Murray usam raquetes feitas com um composto de grafeno.

Uma rede de carbono com a espessura de um átomo. O grafeno é o primeiro material bidimensional criado pelo Homem. O grafeno é um derivado da grafite - sendo que ela própria resulta de várias e sucessivas camadas de grafeno. Só que até há coisa de dez anos nunca ninguém tinha conseguido isolar uma dessas camadas de grafeno. Isso só aconteceu em 2004. Cientistas da Universidade de Manchester tiraram grafeno da grafite e com isso ganharam um prémio Nobel. Na prática nem parece ser tão complicado com isso. É quase como descascar uma cebola, e para o efeito até há quem use uma simples fita adesiva.

«Estou a descascar este bloco de grafite há algum tempo, pelo que já ganhou algum polimento. Esta face lustrosa e brilhante também significa que estamos a respeitar as estruturas cristalinas. Só tenho de encostar isto aqui, carregar um pouco, deixar colar bem... e agora, ao descascar a grafite, é suposto trazer atrás umas quantas centenas de milhares de camadas de grafeno», explica Nick Clark, investigador de nanomateriais.

De cada vez que a fita adesiva é dobrada ao meio e escamada, a espessura do grafeno fica metade do que era.

Só num pequeno pedaço de grafite do tamanho de uma moeda há camadas de grafeno suficientes para cobrir todo um campo de ténis, talvez até um campo de futebol. O que também pode ser um problema: o grafeno é um material extremamente complicado de se manusear.

«Pensem em película aderente. Tentar mexer nela já é um pesadelo. Mete-se em toda a parte, fica enrugada, cola-se a tudo. O grafeno é quase a mesma coisa... mas um milhão de vezes mais fino», acrescenta Aravind Vijayaraghavan.

É um problema, que para já impede a produção em grande escala. Talvez daqui por uns 10, 20 anos. A eletrólise pode ser uma opção. Metem-se iões de lítio na grafite para obrigar as camadas de grafeno a descolarem umas das outras. É um processo que pode ser massificado, mas nesta fase ainda é difícil convencer quem quer que seja a investir.

Para acelerar o próximo passo nesta travessia está a ser criado um consórcio entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. O Instituto Nacional do Grafeno é um investimento na ordem dos 70 e muitos milhões de euros. Parceiros da grande indústria, até ver, há só um. Mas com mais de 10 mil patentes já registadas em todo o Mundo, não há como duvidar do enorme potencial do grafeno. Na verdade, só falta saber quando vai começar a nova corrida ao ouro.

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