Está a sair para o mercado uma nova bebida energética. A acreditar no que dizem, será a verdadeira «sports drink»: os testes indicam que esta bebida pode garantir aos atletas melhorias de desempenho na ordem dos dois por cento. Basicamente, tem lá dentro uns compostos aromatizados a que se chama «cetonas», que os seus criadores dizem que são particularmente eficazes a aumentar a resistência dos atletas.

Os criadores da DeltaG dizem que a bebida pode ser uma mais-valia para os atletas profissionais. Desenvolvida em Oxford, traz um novo ingrediente ¿ cetonas, integralmente produzidas em laboratório, à imagem das cetonas ou compostos que se encontram naturalmente no corpo humano, sob a forma de ácidos que resultam da queima de gorduras. Brianna Stubbs, a campeã mundial de remo (na modalidade de skull de dois, sub23) é britânica, também faz parte da equipa que desenvolveu esta bebida, e garante que ela a ajudou a remar mais depressa.

«Um dos efeitos que a bebida tem é reduzir o nível de ácido láctico. Após uma hora de esforço produzimos menos ácido láctico do que o habitual. Torna-se tudo um pouco mais fácil, sentimos que aguentamos mais durante mais tempo», diz Brianna Stubbs, equipa da DeltaG.

A DeltaG é o resultado de 20 anos de trabalho da professora Kieran Clarke. Ela explica-nos que as cetonas são de rápida absorção pelo organismo, e são uma importante fonte de energia. O corpo produ-las naturalmente, quando lhe falta alimento e entra em carência. Mas metê-las numa garrafa assegurou todas as vantagens, sem nenhum dos sacrifícios.

«Quando não comemos, após algum tempo começamos a produzir naturalmente essas cetonas. Mas demora uma a duas semanas a elevar os níveis de cetona. Nós conseguimos fazer o mesmo com uma simples bebida», explica Kieran Clarke, Professora de Bioquímica Fisiológica, e Criadora da DeltaG.

«Quando há cetonas no organismo isso significa que não estamos a usar os nossos "combustíveis" habituais. Poder dispor de cetonas suplementares é algo completamente diferente, nunca antes visto. Tal como disse a Kieran, normalmente produzimos cetonas quando estamos esfomeados, quando não há outros combustíveis disponíveis. Não há escolha possível. Mas com estas cetonas suplementares o teu corpo continua a poder optar entre as gorduras ou os carbohidratos. Só depende das cetonas», acrescenta Brianna Stubbs.

As cetonas podem proporcionar um ganho de energia. Mas não funciona com todos os desportos. «Em desempenhos de resistência, como correr uma maratona, ou um triatlo, ou qualquer atividade que implique um esforço alargado no tempo, as cetonas podem ser interessantes para sustentar esse desempenho. São uma fonte de energia potencialmente ilimitada, se as compararmos com quem está a usar a gordura do próprio corpo como combustível, por exemplo. Mas em atividades de exercício intermitente, em desportos de equipa como o futebol, o hóquei, ou o netball, ou de altíssimo rendimento, como as corridas de velocidade, a musculação, ou o halterofilismo, que basicamente vivem da glicose, de pouco me parecem servir», afirma o dietista Richard Miller.

Os criadores da bebida vão mais longe e garantem que, para além de beneficiar os atletas, o produto também pode ajudar a perder peso. Os dietistas recomendam calma. A bebida tem cerca de 200 calorias. Perder peso também implica cortar substancialmente naquilo que se come.

Há quem garanta que as dietas cetogénicas surgem associadas ao mau hálito e à prisão de ventre, por serem pobres em fibras. E que altos níveis de cetonas também podem levar a insuficiências renais, osteoporose, cancros ou problemas cardíacos. A professora Clarke diz que estas preocupações não passam de um equívoco. O nosso corpo está preparado para usar as cetonas como fonte de energia, de uma forma até mais rápida e eficaz do que quando recorre à glicose.

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