Um novo dispositivo científico para diagnosticar precocemente os cancros da mama, do útero e colorretal, vai estar pronto em 2018, num projeto que está a ser desenvolvido por investigadores portugueses vencedores de uma bolsa de um milhão de euros.

A execução do dispositivo, denominado «3P's», prolonga-se até 2018, informou hoje a investigadora científica e coordenadora do projeto, Goreti Sales.

«Temos até 2018 para conseguir pôr este dispositivo a funcionar para três cancros [mama, útero e colorretal], testado com amostras fisiológicas e tentando melhorar o seu desempenho da melhor forma possível», explicou a investigadora, à margem da apresentação do novo laboratório científico instalado no Instituto Superior de Engenharia do Porto.

A investigação vai concentrar-se nos estudos de cinco biomarcadores para cada um dos três cancros mais prevalentes na sociedade, que são o cancro da mama, do útero e colorretal, acrescentou aquela especialista.

«O dispositivo, que está a ser construído desde fevereiro deste ano, deverá ter uma forma semelhante ao de um teste de gravidez e será também através da urina que funcionará a deteção dos marcadores do cancro».

Obedecendo a um novo conceito, vai reunir áreas de conhecimento que nunca foram encontradas em conjunto num só dispositivo, observou Goreti Sales.

«Vamos reunir os desenhos de anticorpos plásticos (biomateriais) com as células fotovoltaicas, num único dispositivo, e depois vamos melhorá-lo com os apetrechos que permitem melhorar a sensibilidade para depois ser aplicado em quantidades muito residuais de biomoléculas».

«Esse novo conceito de dispositivo vai permitir aplicá-lo aos biomarcadores do cancro¿, que são biomoléculas que marcam a sua evolução, ¿e vamos tentar procurar biomarcadores à deteção precoce do cancro, para depois se conseguir fazer o diagnóstico precoce», adiantou a investigadora.

Isto vai permitir fazer o diagnóstico de qualquer biomolécula, e vai poder ser aplicado na área da saúde, na área alimentar e em todas as doenças, garantiu Goreti Sales.

«Não vamos reservar o direito de conceder isto a alguém para que alguém possa ganhar muito dinheiro com isso», assegurou a especialista, referindo que a investigação vai ser alvo de conhecimento universal.

«O conhecimento é para ser de toda a gente e, se algum empresário entender que tem alguma vantagem em desenvolver aquele dispositivo, pode pegar nele e utilizá-lo», adiantou.

A equipa de investigadores portugueses (15) recebeu um milhão de euros do European Research Council, para aplicar durante cinco anos no desenvolvimento da nova ideia, para que possa ser concretizada e possa trazer um avanço à ciência, escreve a Lusa.