Este domingo comemora-se o dia das redes sociais. Uma realidade com pouco mais de meia dúzia de anos, mas que veio revolucionar a Internet em todo o mundo. Praticamente ninguém lhes resiste e não pode passar sem elas muito tempo. No computador ou no telefone, miúdos e graúdos, do mais anónimo cidadão ao presidente dos Estados Unidos, eles estão lá.

E nem a Igreja, tão conservadora nuns aspetos, foge do assunto. O Evangelho nas redes sociais foi tema do Dia Mundial das Comunicações 2013. Bento XVI disse: «Somos chamados a anunciar, neste campo da era digital, a nossa fé». O atual Papa Francisco já usava o Twitter.

Um estudo americano deixa a seguinte questão no ar: «Andamos obcecados com as redes sociais ou com nós mesmos?». A pergunta surge após a análise de alguns dados como, por exemplo: uma a cada oito pessoas do planeta está no Facebook; por cada cinco minutos online, um é nas redes sociais; 80 por cento dos posts colocados nas redes sociais são sobre os próprios; metade dos utilizadores compara-se com os outros quando comenta fotos ou posts.

O tema levanta a curiosidade de muitos investigadores. Um estudo da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, chegou à conclusão que quem publica muito no Facebook e no Twitter é, no fundo, narcisista. As interpretações de uma ou outra rede social dependem da idade: se exacerbam a sua superioridade ou se estão a ser exibicionistas. Ou se procuram só reconhecimento e aprovação.

O Facebook tem mais de mil milhões de utilizadores ativos. O Twitter tem 200 milhões. My Space, Hi5, onde já vão. Twitter, Facebook, Instagram, Pinterest estão no top neste momento. Até o Twitter já parece um avôzinho. Sete anos. Mas até a imagem de marca desta rede social mudou: os 140 caracteres já não são o limite. E acaba por ser uma pescadinha de rabo na boca. Tão diferentes, tão iguais. Em todos se metem fotos, vídeos, comenta-se, gosta-se e criam-se grupos de amigos sem que se venham alguma vez a encontrar fisicamente. Já não é preciso de ter amigos para ir beber café, basta ter redes sociais para se sentir acompanhado na solidão da sua casa.

As redes sociais também já não conhecem fronteiras. Veja-se pelos protestos no Brasil em que os protestos «sociais» e virtuais impulsionavam os protestos na rua. Este é o mais recente, mas as manifestações em Espanha ou no Egito também devem muito a esta rua comum, em que todos se conhecem. Mundos diferentes, as mesmas redes.

Onde vamos parar? Não se sabe, tal a evolução constante num curto intervalo temporal. Mas, inevitável é que as gerações mais novas já estão, para além de ligadas, «agarradas» pela rede: «Oh mãe tira uma foto po estagrama!», diz Matilde, quatro anos, junto a um manequim numa loja de roupa.