O criador do rato para o computador, Doug Engelbart, morreu terça-feira, aos 88 anos de idade, escreve a BBC. A ferramenta, criada na década de 60, tinha uma concha de madeira e duas rodas de metal. Engelbart talvez nunca tenha imaginado que esta ferramenta se iria tornar indispensável num mundo tecnológico, pela mão da Macintosh.

Na verdade, nem ganhou muito dinheiro com a sua invenção, porque o prazo da patente terminou em 1987, antes do rato ser amplamente usado. A tecnologia que criou foi licenciada à Apple, em 1983, pelo Instituto de Pesquisa de Stanford, por 30 mil euros.

O Museu da História do Computador recebeu a notícia da morte de Doug Engelbart, através de um email enviado pela sua filha, revela a BBC. A saúde deste tinha-se degradado muito nos últimos anos e acabou por partir para a sua última viagem, durante o sono, na passada terça-feira.

Doug Engelbart nasceu a 30 de janeiro de 1925 em Portland, no Oregon e formou-se em engenharia. Era filho de um reparador de rádios e de uma doméstica.

Além de ter criado o «rato», enquanto trabalhou no Instituto de pesquisa da Califórnia, também desenvolveu trabalhos nos primórdios do correio eletrónico, no processamento de texto, e na vídeo e tele-conferência.

Trabalhou na NACA, que antecedeu a NASA, mas acabou por sair para se doutorar na Universidade da Califórnia.

A sua paixão pelos computadores e pela forma como podiam ajudar o lado cognitivo do Homem levou-o a trabalhar com o Stanford Research Institute ¿ SRI (Instituto de Pesquisa de Stanford) e, mais tarde, a criar o seu próprio laboratório, o Augmentation Research Center.

Aliás, o seu papel no mundo tecnológico é essencial. O laboratório que criou, esteve envolvido no desenvolvimento da ARPANet (Advanced Research Projects Agency Network), um projeto governamental, que levou ao nascimento da internet.

Veja um excerto de uma apresentação onde Engelbart explica, publicamente, a sua invenção e as suas ideias. Esta apresentação aconteceu em 1968, em São Francisco, e ficou conhecida como «mother of all demos» («A mãe de todas as demonstrações»). Além de apresentar o «rato», Engelbart fez também a primeira demonstração de uma videoconferência e explicou a sua teoria de que páginas com informação podiam ser ligadas umas às outras através de ligações de texto. Esta teoria acabaria por ser a pedra fundamental da arquitetura da internet.