Na última década foram notificados em Portugal 962 casos de doença dos legionários, segundo um relatório divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) que aponta para uma subnotificação da patologia.

A doença dos legionários é uma pneumonia causada por bactérias do género legionela, que podem existir em reservatórios naturais, como lagos e rios, ou em reservatórios artificiais como ares condicionados, humidificadores, piscinas, jacuzzis ou instalações termais.

Numa análise aos 10 anos do programa de vigilância da doença dos legionários, a DGS assume que existem algumas lacunas, apontando para uma subnotificação dos casos, a par de uma baixa proporção de inquéritos epidemiológicos e ambientais quando há confirmação da doença.

Todos os casos da doença notificados devem dar origem a um inquérito epidemiológico e ambiental. Contudo, entre 2004 e 2010 verificou-se que só foram realizados inquéritos ambientais em 36% das notificações e investigação epidemiológica em 73% dos casos notificados.

Segundo o relatório da DGS, verificaram-se também «assimetrias muito importantes» nas notificações por distritos. Porto e Braga registaram mais de 40% do total de casos notificados, quando abrangem apenas 25% da população nacional.

Pelo contrário, nas regiões autónomas dos Açores e Madeira (com 4,83% da população) apenas foram notificados 0,1% de casos.

Nas regiões autónomas, uma das causas para esta reduzida notificação pode ser «um reduzido número de exames complementares de diagnóstico para pesquisar a presença de legionela em casos de pneumonia».

Na década analisada, o ano de 2012 foi o que registou maior número de notificações da doença, com um total de 140 casos.

O grupo etário com mais casos notificados foi o dos 50-59 anos, sendo a doença mais frequente nos homens e o tabagismo o fator de risco mais associado à doença.

Em Portugal, a mortalidade por doença dos legionários situa-se nos 5% dos casos notificados, abaixo dos 7% da média da União Europeia, como acrescenta a Lusa.