O cientista que dirigiu durante mais de duas décadas um instituto de investigação da agência aeronáutica dos EUA, James Hansen, apelou esta segunda-feira a novas abordagens para interromper o aquecimento global e criticou as metas estabelecidas, por serem demasiado perigosas.

Num texto, de 26 páginas, divulgado no site da revista científica PLOS ONE, a apelar à apresentação de textos científicos sobre o assunto, sublinha os perigos das alterações climáticas e o impacto devastador que estão a ter no ambiente à escala mundial.

Um aquecimento global de dois graus Celsius está «bem dentro de uma amplitude perigosa», defendeu, em referência ao acordo estabelecido em 2009 em Copenhaga, que consagrou a necessidade da redução de emissões de gases com efeito de estufa e manteve o objetivo de conter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados, em relação ao nível do tempo pré-industrial.

Apesar de o aquecimento global ter atingido um nível superior a menos de um grau centígrado, o mar de gelo do Oceano Ártico está a derreter a uma velocidade superior à esperada, os oceanos têm estado a acidificar e as ondas de calor, as secas e os incêndios estão a aumentar em intensidade, destacou.

Estes eventos «implicam que a sociedade deve reavaliar o que constitui um 'nível perigoso' de aquecimento global», escreveu o cientista.

Os esforços, acrescentou, devem ser feitos para constranger o aquecimento no nível que já alcançou.

Hansen é professor no Departamento das Ciências da Terra e do Ambiente na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e antigo chefe do Instituto Goddard, da NASA, para os Estudos do Espaço.

No seu artigo, pede aos líderes mundiais, aos cientistas e aos responsáveis políticos para que respondam de forma ativa à necessidade de restaurar o equilíbrio energético da Terra.

O diretor editorial do PLOS ONE, Damian Pattinson, disse que vai publicar qualquer artigo que passe um processo de revisão por pares sobre formas de alterar a tendência preocupante do aquecimento do clima do planeta.

«A nossa esperança é a de gerar um espetro amplo de submissão [de artigos] de investigação do clima e, em particular, de textos que avancem sugestões de solução para os desafios colocados pelas alterações climáticas, preservação do ambiente, problemas da acidificação, estratégias de adaptação e restauração dos ecossistemas», perspetivou.

Uma coleção da PLOS, designada «Responder às Alterações Climáticas» vai ser lançada no início de 2014 para destacar a investigação.

«Apesar de haver mérito em noticiar simplesmente o que está a acontecer, ainda há oportunidade para a humanidade exercer a sua vontade», sustentou Hansen.