Pesquisadores norte-americanos da Universidade do Alabama anunciaram, esta quinta-feira, ter descoberto como um tipo de células espalhadas no cérebro podem causar uma forma devastadora de cancro cerebral, o que, potencialmente, abre espaço para encontrar a cura desta doença.

Num artigo hoje publicado na revista Nature Commnunication, a equipa de investigadores da Universidade do Alabama em Birmingham mostra como os gliomas, um tumor das células gliais, aquelas que protegem, nutrem e dão suporte aos neurónios, conseguem interromper as conexões neuronais normais e apoderar-se do controlo dos vasos sanguíneos.

Uma marca característica dos gliomas é que as células podem migrar de um tumor central e invadir o tecido saudável do cérebro, e mesmo se uma massa de tumor for removida cirurgicamente, as células malignas que migraram são deixadas para trás podendo causar o surgimento de um novo tumor.

Citado pela Nature, o neurocientista Harald Sontheimer explicou que à medida que avançam os gliomas deslocam os astrócitos, que são células neurológicas em forma de estrela que se encontram no cérebro e que desempenham um papel crítico na regulação do fluxo sanguíneo no cérebro.

De acordo com Harald Sontheimer, a chegada de uma célula de glioma muda tudo isso, pois «as células de glioma que viajam ao longo dos vasos sanguíneos, literalmente, cortam a ligação entre os astrócitos e os vasos e empurra-os para fora do caminho».

E, prosseguiu Harald Sontheimer, «ao interromper esta ligação neural importante, os efeitos cognitivos adversos podem ser esperados». «Além disso, o estudo mostrou que gliomas então assumir o controlo dos vasos sanguíneos para os seus próprios fins. E esses fins são principalmente para obter os nutrientes do sangue, para que possam continuar a crescer e se espalhar.»

A equipa de Sontheimer afirma que as células de glioma tendem a reunir-se nas junções dos vasos sanguíneos, quase como se fossem acampar ao lado de um córrego onde se junta um rio.

«Descobrimos que, quando os gliomas afastam os astrócitos, ocorrem danos à integridade das células endoteliais que formam a barreira hematoencefálica [estrutura membrânica que atua principalmente para proteger o sistema nervoso central]», disse o pesquisador e um dos coautores do estudo, Stefanie Robel.

Segundo o investigador, este processo pode tornar «a barreira enfraquecida e aí começa um vazamento através da barreira que pode causar graves danos ao tecido cerebral».

Aliás, «esse vazamento parece ser uma consequência de as células de glioma migrarem ao longo dos vasos sanguíneos em sua busca de nutrientes», secundou Stacey Watkins, que também participou na pesquisa da Universidade do Alabama em Birmingham.