As pessoas madrugadoras, que estão mais alerta no início do dia, são mais propensas a enganar e a comportar-se de forma menos ética nas primeiras horas da noite, dizem os cientistas.

De acordo com a BBC News, psicólogos descobriram que as pessoas madrugadoras («cotovias») e as noctívagas, que estão mais alerta à noite («corujas»), têm diferentes níveis de honestidade, dependendo da hora do dia. Um estudo desenvolvido nos Estados Unidos encontrou uma ligação entre as escolhas éticas e os «relógios internos» do indivíduo. Sunita Sah, bolseira de investigação na Universidade de Harvard, nos EUA, diz que aquela ligação tem «implicações para os locais de trabalho».

O estudo analisou o comportamento de quase 200 pessoas: os indivíduos participaram em testes e jogos de resolução de problemas, sem perceberem que era a honestidade deles que estava a ser medida. O estudo «A Moralidade de Cotovias e Corujas» examinou a relação entre a tomada de decisão ética e o «cronotipo» das pessoas, que é quando elas estão mais propensas a querer estar a dormir ou quando têm mais energia.



Constatou-se que há uma relação significativa e que é mais provável que as pessoas sejam honestas em função do «cronotipo». Isto significa que as «cotovias» são mais éticas da manhã e as «corujas» são mais propensas a ser honestas à noite.

Os investigadores davam recompensas financeiras até 10 dólares (7,4 euros) para quem completasse os testes antes do tempo e concursos com a perspetiva de prémios maiores. Os pesquisadores foram depois monitorar como é que as pessoas relataram os próprios resultados.

Verificou-se que o nível de desonestidade tendia a agravar-se quando as pessoas estavam fora da hora preferida do dia. «De manhã, as pessoas da noite são mais antiéticas do que as pessoas madrugadoras», refere o estudo. Constatou-se que «o comportamento ético surge quando as pessoas combinam as situações com o cronotipo».

A pesquisa foi realizada por académicos de universidades dos EUA: Universidade Johns Hopkins e Universidade de Washington. Sunita Sah é professora assistente de Ética Empresarial na Universidade de Georgetown, bem como pesquisadora de Harvard.

Sunita Sah diz que os resultados da pesquisa têm implicações importantes para os locais de trabalho que dependem de decisões éticas e honestidade, particularmente onde há turnos. Isto levanta questões sobre o horário de trabalho e a estrutura da jornada de trabalho, diz a investigadora, se a tomada de decisão das pessoas é afetada pelo «cronotipo».



Fazer uma escolha ética, como respeitar as regras de um teste, parece mudar com os relógios internos do corpo das pessoas e os diferentes momentos do dia, sugere o estudo.

Mas os resultados também desafiam as sugestões de que os noctívagos são mais propensos a ser mal comportados. «Lança dúvidas sobre o estereótipo de que as pessoas à noite são de algum modo devassas», conclui o estudo.