Escavações recentes no centro histórico de Loulé revelaram as divisões que concluem a planta do complexo público de banhos islâmicos, único a nível nacional e dos mais completos da Península Ibérica, disse à Lusa uma arqueóloga do município.

Além das salas de banhos quentes, tépidos e frios, que já eram conhecidas, ficaram agora a descoberto novas zonas - os tanques frios, as latrinas e os vestíbulos (pátios) -, prolongando para este o complexo de banhos públicos da cidade fundada no final do período da ocupação islâmica, explicou Alexandra Pires.

A descoberta foi feita durante a abertura de valas para a instalação de uma caixa de recolha de águas pluviais, no âmbito das obras em curso no centro histórico de Loulé, contou a arqueóloga, observando que estes complexos balneares se situavam normalmente à entrada das cidades, para que os viajantes ali pudessem tratar da sua higiene.

A arqueóloga acredita que, sendo estes os únicos banhos islâmicos conhecidos em Portugal, esta descoberta pode ajudar a projetar a cidade no segmento do turismo patrimonial e cultural e suscitar o interesse da comunidade científica.

Inês Simão, da empresa responsável pelo acompanhamento das obras em curso no centro histórico da cidade, disse que os trabalhos de escavação estão a terminar e que, depois de feito o registo da descoberta, o local vai ser tapado e protegido para que não sofra nenhuma destruição, «enquanto não se pensar numa futura musealização ou o que for possível».

Desde 2006 que aquela autarquia tem vindo a apostar nos trabalhos arqueológicos naquela zona da cidade, tendo para o efeito adquirido uma casa, conhecida como «Casa das Bicas», cujo interior foi escavado e alberga grande parte do antigo edifício de banhos islâmicos, nomeadamente a sala de banhos quentes e a sala de banhos tépidos.

As divisões descobertas durante as obras de reabilitação do centro histórico da cidade vão obrigar à relocalização da caixa de recolha de águas pluviais prevista para o local, disse ainda a arqueóloga Inês Simão.

«Houve uma articulação muito boa entre a obra e as descobertas arqueológicas. Uma vez que é uma obra de alguma dimensão foi possível prossegui-la noutras frentes de trabalho e tudo correu muito bem sem atrasos», concluiu.

A autarquia já anunciou estar a desenvolver um projeto de valorização e musealização daquele complexo balnear em parceria com o Campo Arqueológico de Mértola, mas até que o projeto esteja em condições de ser implementado as descobertas vão ser novamente enterradas.

Os banhos islâmicos de Loulé passam a constar na lista de estruturas do mesmo género existentes na Península Ibérica, apesar de não terem um grau de conservação tão grande de alguns banhos islâmicos localizados em solo espanhol que conservam paredes e cúpulas.

Alexandra Pires contou que a grande diferença está no facto de os banhos islâmicos espanhóis estarem inseridos em palácios, enquanto os banhos islâmicos de Loulé são banhos públicos, localizados numa das portas da cidade.