A ferramenta que o Facebook lançou no dia em que comemorou 10 anos de existência, o «Look Back», retrospetiva com os melhores momentos do utilizador desde que se inscreveu na rede social, continua a dar que falar. Desta vez, refere o diário espanhol «ABC», reabriu-se o debate sobre o que a Facebook deve fazer com os perfis e a informação dos utilizadores que já morreram.

O norte-americano John Berlin, que perdeu o filho, tomou conhecimento do «Look Back» e pediu ao Facebook que fizesse o vídeo do filho, porque a conta está ativa. Contra as regras, a rede social satisfez o pedido deste pai.

John Berlin publicou na quarta-feira um vídeo no YouTube, onde conta a história trágica: a morte do filho Jessie Berlin, em 2012, com 21 anos. Emocionado, o norte-americano, do Missouri, elogia a iniciativa do Facebook lançada no 10º aniversário da rede social de Mark Zuckerberg.

John Berlin fez um único pedido: que o Facebook fizesse essa retrospetiva, através da conta do filho, que permanece ativa. Sem acesso à conta do filho, John Berlin não teve alternativa se não fazer um apelo que se tornasse viral e chegasse aos responsáveis da rede social.

«O meu filho morreu no dia 28 de janeiro de 2012 e nós não conseguimos ter acesso à conta no Facebook. Eu tentei enviar e-mails, mas não consegui. Nós só gostaríamos de ver o vídeo dele... Só isso», afirma.

Num dia, o vídeo que publicou no YouTube, intitulado «O meu apelo ao Facebook», ultrapassou um milhão de visualizações. O apelo originou uma resposta e, num comentário ao vídeo no YouTube, John Berlin revela que foi contactado pelo Facebook, que lhe garantiu que iria ser feito um «Look Back» do jovem.

Além de ser comovente, a história relançou o debate sobre como o Facebook pode ajudar as pessoas que perderam entes queridos. Em 2009, a rede social lançou um serviço de memoriais, precisamente depois de um dos engenheiros da empresa ter perdido um familiar. Os familiares vivos de um utilizador podem assim enviar à rede social a notícia do falecimento. Este foi o mecanismo que o Facebook encontrou para prevenir que nenhuma conta de um utilizador vivo é encerrada maliciosamente na rede social.

Uma fonte da rede social referiu à BBC que a experiência que a empresa teve com John Berlin permitiu-lhe chegar à conclusão que «o Facebook pode fazer mais no sentido de ajudar os utilizadores a celebrar a vida dos entes queridos que perderam».