O desaparecimento de grandes carnívoros como leões, lobos ou pumas está a ameaçar os ecossistemas do planeta, alerta uma equipa internacional de cientistas, que apela para a proteção destes predadores.

Três quartos das 31 espécies de grandes carnívoros viram as respetivas populações reduzidas e 17 espécies estão limitadas a menos de metade do território que ocupavam inicialmente, indica um estudo publicado na sexta-feira pela revista norte-americana Science.

Os grandes carnívoros foram já exterminados num grande número de países desenvolvidos, nomeadamente na Europa ocidental e nos Estados Unidos, e os cientistas lamentam que a caça a estes predadores esteja a acontecer em todo o mundo.

«À escala planetária estamos a perder os grandes carnívoros», sublinha William Ripple, professor do departamento de ecossistemas florestais da universidade do Oregon e principal autor da investigação.

«Muitos destes animais são ameaçados pela redução rápida do seu território. Uma maioria destes arrisca extinção, localmente ou à escala global», insistiu.

Por outro lado, Ripple considera «paradoxal que estas espécies desapareçam num momento em que tomamos consciência da sua importância na manutenção do equilíbrio ecológico».

Os cientistas norte-americanos, europeus e australianos estimam que é altura de lançar uma iniciativa mundial para reintroduzir estes animais na natureza, reconstruindo as suas populações à semelhança do que está a ser feito no âmbito da «Grande Iniciativa Carnívora» na Europa.

A iniciativa visa reintroduzir lobos, linces e ursos pardos nos respetivos habitats.

A investigação concentrou-se nos impactos sobre os ecossistemas do desaparecimento de sete espécies: leão africano, lince europeu, leopardo, lobo cinzento, puma, lontra do mar e dingo australiano.

Os estudos concluíram que a diminuição das populações de pumas e lobos no parque de Yellowstone, nos Estados Unidos, levou a um aumento do número de animais que se alimentam de folhas e arbustos, como os veados.

Este fenómeno perturba o crescimento da vegetação e afeta os pássaros e os pequenos mamíferos, explicam os autores.

Na Europa, o desaparecimento dos linces surge ligado a sobrepopulação de veados e coelhos, enquanto o desaparecimento de um grande número de leões e leopardos em África causou uma explosão do número de babuínos, que atacam culturas e rebanhos.

A diminuição da população de lontras no Alasca resultou num forte aumento de ouriços-do-mar e numa redução das algas de que estes se alimentam.

Os autores do estudo reconhecem, contudo, que será difícil fazer as populações aceitarem uma reintrodução em larga escala destes predadores.

«Estes animais inspiram medo aos humanos, que lhe declararam guerra há muito tempo para proteger o gado e as comunidades», sublinharam.