Um novo estudo em macacos publicado na segunda-feira revelou que o cérebro tem células específicas que disparam rapidamente alertas quando confrontadas com o perigo de uma cobra.

Certos neurónios, segundo o estudo publicado na revista «Proceedings», da Academia Nacional de Ciências norte-americana, respondem «seletivamente» a imagens de cobras e tomam a dianteira comparativamente a neurónios que reagem a imagens de rostos, mãos ou figuras geométricas.

O relatório oferece novas provas para apoiar a ideia de que os primatas desenvolveram habilidades e visão aguçada para sobreviverem às ameaças que as cobras representam na selva.

«Suporta realmente o argumento de que as cobras são muito importantes para a evolução dos primatas», defendeu a coautora do estudo Lynne Isbell, professora no Departamento de Antropologia da Universidade de California Davis, citada pela Agência France Presse.

«As cobras estimulam respostas mais rápidas e mais fortes», refere o estudo, coassinado por Quan Van Le, da Universidade de Toyama, e investigadores da Universidade de Brasília.

A investigação foi feita com recursos a dois macacos jovens que nasceram numa reserva destes animais no Japão.

Os investigadores dizem acreditar que os macacos não tiveram oportunidade de encontrar serpentes antes da experiência.

Os cientistas implantaram cirurgicamente microelétrodos numa parte do cérebro conhecida como pulvinar, que está envolvida na atenção visual e na reação rápida a imagens ameaçadoras.

Depois mostraram aos macacos várias imagens de cor num ecrã de computador, incluindo cobras em várias posições, ameaçando rostos de macacos, imagens de mãos de macaco e formas simples, como estrelas ou quadrados.

Vendo uma cobra, desencadeia-se uma reação rápida de medo no cérebro, sem paralelo com outras imagens.