O Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) introduziu nesta vindima o acesso por via eletrónica à autorização de produção de vinho do Porto, o antigo cartão de benefício, que determina a quantidade destinada a cada viticultor.

A autorização de produção corresponde à quantidade que cada produtor pode beneficiar ou transformar em vinho do Porto. O total de benefício fixado para este ano é de 105.000 pipas de mosto (550 litros cada).

«Os viticultores passaram a poder descarregar a sua autorização de produção diretamente em sua casa», afirmou à agência Lusa o presidente do IVDP, Manuel de Novaes Cabral.

O acesso eletrónico à autorização de produção visa «simplificar» e «acelerar» procedimentos, melhorando assim a relação entre os viticultores e o instituto público.

Desta forma, a informação sobre o benefício atribuído a cada produtor foi antecipada para 01 de agosto, quando anteriormente era dada apenas no final desse mês.

Ao mesmo tempo, de acordo com o responsável, reduzem-se custos e adotam-se práticas mais amigas do ambiente.

Com 25 mil viticultores recenseados na Região Demarcada do Douro (RDD), eram impressas, pelo menos, 50.000 páginas em cada vindima, já que cada autorização de produção tem no mínimo duas páginas.

Manuel Cabral frisou que o processo está a correr bem e que, até hoje, houve 10.708 autorizações de produção descarregadas online, o que corresponde a 74.652 pipas de mosto generoso. Este valor equivale a 71% do quantitativo global.

Ainda restam entregar mais de 23.000 autorizações de produção, as quais estão a ser impressas e irão ser distribuídas aos viticultores pelo procedimento tradicional, em carta enviada por correio.

Este valor revela que grande parte dos produtores do Douro possui pequenas parcelas de vinha. A realidade do território revela ainda que muitos são já idosos e possuem dificuldades no acesso às novas tecnologias de informação.

Precisamente por causa disso, o processo vai ser introduzido gradualmente, coexistindo a fórmula tradicional e o acesso online.

Para ajudar na divulgação desta medida, o IVDP contactou com as câmaras que fazem parte da Comunidade Intermunicipal do Douro e todas as juntas de freguesia da região demarcada, algumas as quais, inclusive, se mostraram disponíveis para ajudar os mais idosos a aceder à internet.

Durante a época de vindimas, o IVDP intensifica também as ações de fiscalização.

¿A nossa fiscalização está no terreno todo o ano. Agora, as vindimas são um período de particular atenção relativamente a determinadas ações de fiscalização¿, frisou Manuel Cabral.

O objetivo é controlar a produção e circulação dos produtos do Douro, garantir o cumprimento das normas em vigor e a genuinidade das denominações de origem Douro e Porto, ou seja, atestar que estes vinhos são feitos com uvas provenientes exclusivamente da região demarcada.

Na vindima de 2013, o IVDP fiscalizou 236 centros de vinificação, 277 viaturas e 20 parcelas de vinha, operação que resultou em sete autos de notícia, menos dois do que em 2012.

O controlo foi feito em todas as fases da vindima, desde o corte das uvas ao transporte e nos centros de vinificação, como conta a Lusa.

Este ano, o IVDP formalizou também um protocolo de colaboração com a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) com vista a um trabalho conjunto na defesa e proteção das denominações de origem Douro e Porto.