Um técnico de emissores de radiodifusão de Bragança já percorreu dois milhões de quilómetros a tratar de antenas, o equivalente a 50 voltas ao mundo, muitas vezes para carregar apenas num botão e devolver a emissão às rádios.

Depois de 24 anos permanentemente de plantão, Rui Paulo Pereira inventou um dispositivo que promete revolucionar a resolução de problemas remotamente, reduzindo custos e falhas de emissão às rádios.

Com a parceria do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), a invenção transformou-se em inovação e na primeira patente criada no Gabinete de Empreendedorismo da instituição transmontana de Ensino Superior.

«Alarm Box» é o nome com ambiciona internacionalizar a tecnologia «made in Bragança» e que espera estar a comercializar «dentro de um ano», tendo já feito demonstrações a «quase todas as rádios nacionais» e a uma empresa espanhola do setor.

«A reação é de alguma surpresa por um equipamento made in Portugal/Bragança com estas características», contou à Lusa Rui Paulo Parreira, que espera também conquistar mercado além-fronteiras.

«No mundo há milhares de rádios, a minha maior expectativa é em relação aos mercados do Brasil, Espanha e França», afirmou.

O que diferencia este dispositivo do que já existe no mercado?: «0 meu faz tudo, os outro fazem uma coisa cada um», garantiu.

Segundo explicou à Lusa, o mecanismo consiste em colocar um equipamento no centro emissor que comunica com o técnico através de uma aplicação Android desenvolvida para o efeito e que permite resolver falhas através de um simples SMS.

Uma equipa de informática e eletromecânica do IPB «deu andar à ideia», acrescentando-lhe a componente da inteligência artificial, como explicaram à Lusa os três envolvidos Pedro Rodrigues, Getúlio Igrejas e David Branco.

A investigação procurou dar resposta «às necessidades de controlar remotamente» e uma das inovações que o equipamento apresenta é que «consegue fazer a análise do áudio e averiguar se está a funcionar erraticamente, ou seja não só se ficar sem emissão, mas também se houver ruído».

Rui Paulo admite que com esta invenção «pode estar a reduzir emprego» para técnicos como ele, mas «por outro lado cria emprego» nas empresas que espera venham a construir o equipamento.

Não tem dúvidas é de que, além de reduzir os custos das empresa de radiodifusão, o facilitará sobretudo a vida aos profissionais que vão continuar a ser necessários para a manutenção dos centros emissores.

O técnico lembrou que chegou a ir de Bragança ao Algarve «para, em apenas uns minutos, fazer reset num botão».

«Poupa não ter que ir lá e as estações emissoras não ficarem sem emissão», observou.

Nos 24 anos que leva de profissão, já perdeu a conta às vezes que escalou antenas com dezenas de metros por todo o país, mas somou os quilómetros que calcorreou: «Dois milhões no total».

Trabalha «sozinho desde os 18 anos, dias sucessivos com poucas horas de sono». Só tira «uma semana de férias por ano».

Inventou o novo equipamento para lhe facilitar a vida, mas com o qual quer também deixar marca no mercado da radiodifusão e criar um novo negócio numa altura em que a crise também afeta o setor.

Chegou a fazer a manutenção de 70 antenas por todo o país. Atualmente tem «pouco mais de 20». Umas fecharam, outras foram absorvidas por emissoras nacionais de grandes grupos de Comunicação Social.