Um cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) recebeu o Prémio Montepio, de 10 mil euros, da Academia das Ciências de Lisboa pelo estudo desenvolvido sobre as proteínas que atuam na divisão celular.

O objetivo do projeto era "perceber de que maneira determinadas proteínas, que formam uma estrutura denominada microtúbulos (parte integrante do esqueleto da célula), regulam a divisão celular", disse à Lusa o investigador distinguido com o Prémio Montepio, Jorge Ferreira.

Para além disso, pretendia-se verificar quais as alterações e consequências para a célula quando essas proteínas estruturais eram alteradas.

Verificou-se, ao longo do estudo, que com a manipulação dessas proteínas, fundamentais para o processo de divisão celular, ocorriam alguns erros relevantes "para o normal desenvolvimento da célula", referiu o investigador.

Em última análise, foi possível identificar qual o mecanismo regulador do processo de divisão celular, permitindo "definir um conjunto de fatores essenciais para que o trânsito das células, através desse processo, ocorra normalmente".

O cancro "é um dos problemas que está, muitas vezes, associado a defeitos na divisão celular", indicou o investigador, acrescentando que outro dos propósitos do estudo foi tentar estabelecer a relação entre esses erros e a patologia.

"Quando uma célula se divide, o expectável é que as células-filhas sejam iguais à célula-mãe mas, nos casos de formações anómalas, ao invés de seguirem o processo normal, formava-se uma única célula com o dobro do material genético", explicou.

Neste momento e durante os próximos três anos, o investigador vai dar continuidade ao trabalho, com um financiado cedido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O professor da Faculdade de Medicina foi premiado pela tese de doutoramento "Regulação espacial e temporal da função dos microtúbulos pelas proteínas "End Binding"", finalizada em fevereiro de 2013.

Para o investigador, que se sente "grato pela distinção", "todas as iniciativas que permitam dar mais visibilidade à ciência que é feita em Portugal são extremamente importantes".

"Acima de tudo, uma distinção como esta leva-nos a transmitir ao público em geral aquilo que fazemos de uma maneira mais inteligível e, ao mesmo tempo, mostra que o que fazemos tem impacto, que todo o trabalho e esforço valeram a pena, sendo também um incentivo para continuar a trabalhar em ciência".

Esta é a primeira edição do Prémio Montepio, que distingue a excelência na investigação científica desenvolvida em dissertações de doutoramento em universidades portuguesas, financiada pelo mecenato do Montepio Associação Mutualista, lê-se num comunicado do i3S.

Para o concurso, eram elegíveis as teses desenvolvidas nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014, na área das Ciências Exatas e Naturais.

O prémio, que foi atribuído com igual mérito à investigadora Paula Gonçalves, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, vai ser entregue no dia 07 de julho, no salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa.