Se faz parte do grupo de pessoas que enjoa quando faz viagens de carro, saiba que o problemas não é seu. Um neurocientista britânico acredita que o andamento de carro provoca a “sensação de envenenamento” e, por isso, leva o cérebro a reagir. As náuseas provocadas em alguns passageiros são um mecanismo de defesa, com vista à libertação do suposto veneno.

Dean Burnett, professor da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, explica esta tese no livro “Cérebro idiota: o que a sua cabeça pensa”.

Viajar no carro confunde o nosso cérebro, porque recolhe vários sinais provenientes de todo o corpo. Embora os músculos se movimentem pouco, os olhos enviam a mensagem de que a pessoa se encontra em andamento, bem como os sensores de equilíbrio presentes nos ouvidos.

Em termos evolucionários, a única coisa que pode causar a confusão sensorial como esta é uma neurotoxina ou veneno”, revelou Burnett, em entrevista a uma rádio norte-americanaO cérebro pensa, essencialmente, que foi envenenado. Quando o organismo interage com uma substância venenosa, a primeira coisa que faz é tentar expulsar o veneno, ou seja, vomitar”, acrescentou.

Ler só piora a sensação de náusea

Segundo o neurocientista, o facto de se olhar pela janela e ver os objetos a passar sem estarmos a andar faz com que o cérebro se “baralhe”. Esta sensação pode piorar se optar por ler, pois o cérebro terá de lidar com um maior fluxo de informação.

O cérebro pensa: ‘oh, vê, as coisas estão a movimentar-se. Eu devia estar a andar’”

Contudo, ainda não foi encontrada a explicação para o facto de só algumas pessoas enjoarem, enquanto outras conseguem resistir ao enjoo.

O responsável pela investigação disse, ainda, que há outros fenómenos que provam que o cérebro não está adaptado a alguns acontecimentos proporcionados pelo mundo moderno. O jet-lag, a compulsão alimentar e a ansiedade são mecanismos de defesa desenvolvidos para combaterem informações às quais o cérebro não consegue responder de outra forma.

O cérebro tem evoluído no método de regular o nosso ciclo de sono com base na libertação de melatonina como resposta a níveis de luz, mas fica completamente desorientado quando voamos para destinos com fusos horários diferentes”, afirmou Burnett.