Uma investigação liderada por um cientista português revelou uma associação entre a infeção crónica com o vírus da hepatite delta (VHD) e o cancro do fígado, informou o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

Os investigadores identificaram «um mecanismo envolvido na replicação do VHD que potencia o desenvolvimento de células cancerígenas», adianta o IHMT em comunicado.

Através de uma análise das proteínas e variantes de proteínas, a investigação liderada por Celso Cunha, da Unidade de Ensino e Investigação de Microbiologia Médica do instituto, revelou alterações na expressão de genes celulares que resultam da replicação do referido vírus.

«O estudo mostra, pela primeira vez, que o VHD altera o ciclo normal de regulação das células num ponto preciso (¿) provocando erros no ciclo. Os investigadores acreditam que a interferência do vírus com este controlo é a causa do desenvolvimento de processos carcinogénicos nas células», segundo o instituto.

A investigação, publicada no Journal of Proteomics, mostra ainda que «algumas proteínas celulares que participam no suicídio das células cancerígenas são sintetizadas em menor escala na presença do VHD, o que contribui para reduzir as defesas do organismo e potenciar o desenvolvimento de cancro».

«A descoberta deste mecanismo de formação do cancro associado ao VHD poderá contribuir, a longo prazo, para o desenvolvimento de terapias específicas», adianta o IHMT.

Para se multiplicar e infetar o fígado dos seres humanos, o vírus da hepatite D depende da existência do vírus da hepatite B. O VHD tem um período de incubação entre 15 e 45 dias e transmite-se através do sangue e transfusões sanguíneas, durante o parto e através da partilha de seringas infetadas ou objetos de higiene pessoal, como lâminas de barbear e escovas de dentes, como relata a Lusa.