Uma nova solução para neutralizar bactérias multirresistentes em efluentes hospitalares foi proposta por uma equipa multidisciplinar da Universidade de Aveiro (UA), anunciou esta segunda-feira fonte académica.

Em face da resistência de estirpes bacterianas a vários antibióticos, que ameaça cada vez mais a saúde pública, biólogos e químicos daquela universidade têm vindo a trabalhar em novas aplicações de métodos já utilizados noutras áreas científicas.

É o caso da terapia fotodinâmica (PDI), usada no tratamento de alguns tipos de cancro e que, testado no tratamento de esgotos hospitalares, onde são frequentemente encontradas bactérias multirresistentes, demonstrou ser «bem mais eficiente que outras abordagens convencionais».

As estirpes de bactérias como o Staphylococus aureus e Enterococus sp., podem ser causadoras de infeções simples ou sistémicas, infeções respiratórias ou intoxicações de difícil tratamento, devido à sua resistência a vários antibióticos conhecidos.

Mais frequentes nos efluentes hospitalares, já foram também detetadas em estações de tratamento de águas residuais para onde aqueles acabam por ser conduzidos sem um tratamento prévio adequado.

A terapia fotodinâmica consiste basicamente na utilização de «fotossensibilizadores», como porfirinas, ftalocianinas, clorinas e alguns corantes que absorvem luz visível, transferindo energia para moléculas ao seu redor, originando espécies reativas de oxigénio (ROS - reactive oxygen species) que alteram as biomoléculas (proteínas, lípidos e ácidos nucleicos) de microrganismos patogénicos, levando à sua inativação.

De acordo com a equipa de investigação, «nenhum dos estudos realizados até agora mostrou ser possível desenvolver resistência bacteriana a este tipo de tratamento, indicando que o método produz efeitos irreversíveis nestes microrganismos».

A vantagem é que, enquanto os antibióticos atuam sobre um constituinte celular específico, como uma chave encaixa numa fechadura, a PDI atua sobre vários componentes celulares, como proteínas, lípidos e ácidos nucleicos, numa abordagem terapêutica multialvo, que «torna improvável» o desenvolvimento de resistência.

O estudo indica que há vantagens em realizar o tratamento por terapia fotodinâmica ainda no efluente hospitalar onde existem, habitualmente, resíduos de antibióticos, levando a uma maior eficiência de inativação das bactérias multirresistentes.

A equipa, coordenada por Adelaide Almeida, envolve investigadores do Departamento de Biologia que pertencem ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da UA, e do Departamento de Química, mais concretamente à Unidade de Investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA).