Um estudo de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) sobre a evolução de uma determinada população, publicado hoje na revista Nature Communications, testa experimentalmente, pela primeira vez, uma teoria com 90 anos, informou a instituição.

A equipa de investigação, liderada por Henrique Teotónio, pesquisou o «destino de novas formas de genes, quando introduzidos numa população», e testou a teoria de Haldane «que explica a probabilidade dessas novas formas de genes serem eliminadas ou mantidas na população», explica o IGC num comunicado hoje divulgado.

«Os resultados obtidos pelos investigadores do IGC contribuem para uma melhor compreensão de como uma população pode evoluir, com implicações em estudos de adaptação de espécies a ambientes em mudança ou de conservação de espécies», adiantou.

Os cientistas realizaram «ensaios de competição» entre vermes, «para ver quais os indivíduos que conseguem sobreviver e reproduzir-se melhor», tendo confirmado a validade da teoria do geneticista britânico John Burdon Sanderson Haldane, para prever o destino de um novo alelo benéfico, quando introduzido numa população.

Os alelos são novas versões de genes que podem aparecer por meio de mutações numa população.

Postulada há 90 anos, a teoria de Haldane explica as probabilidades que determinam que, «mesmo quando estes alelos tornam o indivíduo mais capaz de sobreviver e reproduzir-se, o resultado mais provável é que se venham a perder na população».

«No entanto, a equipa descobriu que a mesma teoria não consegue prever o destino final desse mesmo alelo», indicou o IGC.

Segundo a instituição, «a teoria de Haldane pôde agora ser experimentalmente testada porque os investigadores» utilizaram «o verme nemátode Caenohabditis elegans (C. elegans)», um pequeno organismo que se reproduz «maioritariamente por autofertilização, o que assegura a manutenção da identidade genética entre progenitores e descendência», e «num curto espaço de tempo, tornando possível o estudo de várias gerações».

«Os nossos resultados sugerem que o valor que um novo alelo traz ao indivíduo não é fixo. As populações são dinâmicas e complexas, com muitas interações entre indivíduos e entre estes e o ambiente. As fases iniciais, quando o novo alelo aparece, não nos conseguem dizer qual o efeito que esse alelo terá algumas gerações mais tarde, quando a população já mudou», explicou Ivo Chelo, outro dos autores do estudo «An experimental test on the probability of extinction of new genetic variants», citado no comunicado.

O estudo foi financiado pelo Programa Científico «A Fronteira Humana» e pelo Conselho Europeu de Investigação.