Cientistas identificaram um tipo de cancro que se transmite entre espécies de animais e advertiram para o facto de a sua propagação ser mais rápida do que aquilo que se possa imaginar. Já eram conhecidos outros tipos de cancro transmissíveis entre a mesma espécie animal, nomeadamente um nos cães e outros dois tipos nos diabos-da-tasmânia. Este novo estudo identificou mais cinco tipos de cancro em quatro espécies de molúsculos e outros parentes.

A novidade está num tipo de cancro considerado transmissível de espécie para espécie, deixando de ser exclusivo de uma só família de animais. 

Segundo o responsável pelo estudo, Stephen Goff, do Centro Médico da Universidade da Colômbia, nos Estados Unidos, parece que este tipo de cancro é transmissível entre algumas espécies de animais, vulgarmente conhecidos como bivalves.

Um cancro semelhante à leucemia dos humanos foi encontrado em mexilhões recolhidos na costa do Canadá e em ameijoas e mariscos de casca dura da costa de Espanha. Nos três casos, o investigador Stephen Goff e a sua equipa encontraram evidências que comprovam a existência de cancro transmissível entre as espécies que habitam essas colónias aquáticas, refere o jornal The Washington Post.

Acredita-se que os bivalves infetados libertem células cancerígenas depois de morrerem. Essas células sobrevivem tempo suficiente para infetarem outros animais. As espécies estudadas não são portadoras de sistemas de imunidade o que reduz a existência de fontes necessárias para combater certas doenças mortais.  

Uma análise genética dos tumores revelou que os mesmos eram provenientes de fontes exteriores ao seu portador. As células do tumor não têm o mesmo ADN dos seus portadores. Contudo, todos os mexilhões foram mortos pela mesma linha de células, que passaram de um indivíduo para outro como um vírus.

Os investigadores sublinharam que as espécies afetadas continuarão a ter uma relação direta com as células cancerígenas contagiosas, afastando a possibilidade de os humanos poderem ser também infetados.

Estas descobertas pintam uma imagem de grupos de bivalves espalhados pelo mundo que são afetados por células cancerígenas microscópicas dentro e entre as espécies,” refere Elizabeth Murchison, da Escola de Veterinária de Cambridge, citada pelo jornal Business Insider.

Os efeitos destes novos tipos de cancro podem ser devastadores, tal como se pôde testemunhar nas famílias de ameijoas estudadas na costa do Canadá, no ano passado.

Podemos encontrar com frequência grandes áreas onde a maioria das ameijoas estavam mortas [de cancro], particularmente pelo verão quente e a grande propagação da doença”, disse o co-autor do estudo, Jim Sherry, à CBC News.

O próximo passo será observar mais de perto os tipos específicos de mutações que causam o contágio entre as espécies.