A maioria (90%) dos utilizadores usa Internet de alta velocidade, segundo números do segundo trimestre divulgados hoje pela Anacom - Autoridade Nacional de Comunicações. Os últimos dados revelam também que o tráfego de banda larga móvel, através dos telemóveis, continua a crescer. 

De acordo com o regulador liderado por Fátima Barros, no final de junho, nove em cada 10 utilizadores recorriam a acessos à Internet a uma velocidade acima dos 20 Mbps, enquanto mais de metade (56,7%) usavam acessos acima dos 30 Mbps.

Mais de um quarto usava acessos à Internet a uma velocidade superior a 100 Mbps.

Segundo a Anacom, no segundo trimestre o tráfego de acesso à Internet em banda larga aumentou 2,9%, nomeadamente devido à subida de 2,8% do tráfego da banda larga fixa, que representa 96,1% do total de 443,8 milhões de gigabytes (GB) gerados no período em análise.

"O tráfego de banda larga móvel aumentou 6,1% no mesmo período, tendo o tráfego gerado pelas placas/modem crescido 4,1% e o tráfego gerado através de 'smartphones' [telemóveis inteligentes] aumentado 10,6%", adianta.


Em termos absolutos, os acessos fixos à Internet no mercado português ascenderam a três milhões, mais 2,3% que no primeiro trimestre e uma subida de 11,6% face a igual período do ano passado.

"O ADSL continua a ser a principal tecnologia de acesso à Internet em banda larga fixa (35,6% do total) - muito próxima do modem cabo (34,5%) -, embora tenha sido a única tecnologia em que se verificou um decréscimo do número de assinantes (-1,5% face ao trimestre anterior)", refere a Anacom.


A Internet sobre fibra ótica (FTTH/FTTB) é responsável por 24,1% dos acessos.

"O maior contributo para o crescimento do número de acessos tem sido dado pela fibra ótica - FTTH/FTTB (mais 7,5% neste trimestre e mais 35,3% em termos homólogos)", refere o regulador.


A Anacom destaca que a subida de acessos de Internet sobre fibra ótica nos dois últimos trimestres foi a maior de sempre, "com cerca de 50 mil novos acessos em cada um dos trimestres".

Entre abril e junho, registou-se um aumento de 10,2% de outro tipo de acessos à Internet (circuitos alugados, satélite, LTE em local fixo), embora com um peso reduzido (5,9%), mas foi a "segunda modalidade que mais contribuiu para o crescimento do número de acessos".

O número de utilizadores que usaram efetivamente a Internet em banda larga móvel ascendeu a 4,8 milhões em junho, uma subida de 22% em termos homólogos e de 3,8% face ao primeiro trimestre.

"A evolução da banda larga móvel tem sido impulsionada, sobretudo, pelo aumento do número de utilizadores de 'smartphones', que neste trimestre já representam 62,2% do total de utilizadores de telemóvel (um crescimento de 16,3 pontos percentuais face ao trimestre homólogo)", aponta o regulador.


Por quotas de mercado, a Altice, que detém a Meo e ainda a Cabovisão e Oni, atingiu 51% de acessos fixos, seguida da NOS, resultante da fusão da Zon com a Optimus, com 35,5%, e a Vodafone, com 13,2%, tendo sido esta a operadora que mais cresceu.

"Se considerarmos o tráfego de banda larga, os clientes do grupo Altice foram responsáveis por 47,7% do tráfego gerado, os da NOS geraram 43,3% do tráfego e os da Vodafone 8,1%".

Relativamente às quotas de clientes ativos de banda larga móvel, a Meo lidera com 48,3%, seguida da NOS, com 29%, e a Vodafone, com 22,4%.

Em termos homólogos, adianta a Anacom, a NOS viu a sua quota subir em 6,2 pontos percentuais e a Meo registou um aumento de 0,1 pontos percentuais.

Por sua vez, a Vodafone viu a sua quota, em termos homólogos, cair 6,3 pontos percentuais.

"Quanto ao tráfego de Internet móvel, é onde se verifica menor assimetria na distribuição de quotas de mercado, tendo a NOS o valor mais elevado, com 37,6%, seguindo-se a Vodafone e a Meo com 32,1% e 30,3%, respetivamente", disse.

"As receitas provenientes do serviço de acesso à Internet fixo 'stand-alone' e de pacotes de serviços que incluem este serviço totalizaram, nos primeiros seis meses de 2015, cerca de 742,1 milhões de euros", acrescentou.


No mesmo período, as receitas do serviço de acesso à Internet móvel atingiram 150,3 milhões de euros.