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Phishing: «Esquema do crime é relativamente simples»

Especialista da PJ alerta para perigos e aponta formas de evitar o crime

Por: Redacção / Rui Araújo (texto) e Rui Pereira (Imagem)    |   2009-04-06 21:10

Já ouviu falar de phishing, mas não sabe bem o que é? Está na altura de saber para poder precaver-se. Segundo uma pesquisa efectuada até 27 de Março no Sistema Integrado de Informação Criminal, os casos de fraude electrónica em Portugal dispararam 293 por cento num espaço de um ano.

São cada vez mais os portugueses que viram o dinheiro esfumar-se das suas contas devido a ataques de piratas informáticos. A Polícia Judiciária está atenta, tem actuado e aproveita para deixar alguns avisos à população.

O crime informático está a aumentar, não poupando nada nem ninguém, desde firmas, a instituições do estado e particulares. «Há uma evolução bastante acentuada neste tipo de crimes. Na área de directoria do centro, houve um aumento de 81% de incidências, o que corresponde a muitos processos, muitos casos e muito dinheiro envolvido», refere Carlos Dias, coordenador do crime económico da PJ Coimbra, acrescentando:

«O esquema é relativamente simples. Indivíduos sediados na Rússia, Ucrânia, China, ou Reino Unido difundem milhares e milhares de e-mails fraudulentos, convidando as pessoas a entrar nos e-mails que indicam, onde fornecem os dados pessoais de acesso às contas bancárias. Depois, publicam na Net ofertas de emprego através de páginas que constroem para o efeito para angariarem pessoas que estejam sedeadas em Portugal. Aí, quem procura emprego deixa a referência da sua própria conta bancárias, onde serão depositadas as quantias que fraudulentamente vão ser transferidas das contas dos lesados. Mais tarde, vão ao banco levantar este dinheiro e, por Western Union, enviam-no para o estrangeiro, para as pessoas que estão a difundir o spam».

A partir do momento em que o dinheiro é transferido para o estrangeiro «perde-se o rasto» e, muitas vezes, só é possível identificar o seu destino com a cooperação internacional.

O que não fazer

O especialista da PJ alerta a população para que tenha a máxima prudência. «Nunca preencham dados pessoais de acesso às contas bancárias, porque se o fizerem as pessoas que obtêm esses dados movimentam a conta como se fosse delas. Se tiveram dinheiro a prazo, colocam à ordem e transferem-no; se tiverem aplicações liquidam-no e transferem-no. As pessoas ficam sem o dinheiro para viver no dia a dia», conta Carlos Dias.

As situações dramáticas são mais do que muitas: «Há gente, que, de um dia para o outro, viu subtraído todo o dinheiro que tinha na conta. Há pessoas que tiveram as suas contas bloqueadas e ficaram muitos dias sem dinheiro para comer. Muitas vezes, os criminosos até esperam pelo 13º mês ou subsídio férias para retirar dinheiro, porque há mais».

O especialista lembra, ainda, que «os bancos nunca pedem o acesso às contas por e-mail», dado que esses dados são «pessoais e intransmissíveis». Para além disso, «od dados do cartão matriz nunca são pedidos na totalidade, só dois ou três algarismos», frisa.

Um último aviso de Carlos Dias: «Se puder, evite os pontos de acesso à net que não estejam protegidos, use boas firewalls e tenha cuidado com a forma como as crianças usam a Internet».

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