Há uma teoria de que as células estaminais se desenvolvem mais rapidamente em ambiente de microgravidade. Ora, parece que essa teoria vai finalmente ser testada. Graças ao financiamento de uma organização que promove a investigação a bordo da Estação Espacial Internacional, os investigadores da Clínica Mayo propõem-se enviar um lote de células para o Espaço, que é onde acreditam que reside o futuro da criação de tecidos humanos a partir de células estaminais. Ou seja, os Homens do futuro podem muito bem ser... extraterrestres.

Abba Zubair é um investigador médico. Em tempos sonhou ser astronauta, mas agora chegou a um feliz compromisso. As suas experiências científicas estão a caminho do Espaço. Zubair, que investiga células estaminais na Clínica Mayo, conseguiu uma bolsa de 300 mil dólares para desenvolver células estaminais em ambiente de microgravidade, a bordo da Estação Espacial Internacional. Zubair afirma que todas as simulações indicam que as células estaminais têm tudo para crescer mais depressa na ausência de gravidade, do que aqui na Terra. E espera comprovar isso mesmo na Estação Espacial Internacional. Dois coelhos de uma cajadada: a experiência em órbita também vai permitir estudar as malformações destas células.

«Quando estimulamos o crescimento celular, um dos riscos é que as células sofram mutações, e se passem a comportar de forma anómala. E sabe o que são células estaminais anómalas? São células cancerígenas. A mutação celular maligna é um dos fatores que pretendemos estudar», explica Abba Zubair.

Enquanto um lote de células se vai desenvolver em pleno Espaço, outro irá crescer em Terra firme. Tirando as diferenças de gravidade, todo o ambiente de desenvolvimento será idêntico. E é assim que Zubair espera ter como analisar a influência da gravidade no desenvolvimento das células estaminais. Se a experiência correr bem e comprovar que a microgravidade é mais propícia ao crescimento das células estaminais, Zubair diz que o próximo passo é deixar que as células evoluam para tecidos... que depois hão de se transformar em órgãos. Zubair adivinha um futuro em que órgãos de substituição serão criados no Espaço, para depois serem implantados em quem deles necessite.

«Imagine só, podermos dispor de corações, e fígados, e rins de reserva, armazenados algures no Espaço, e só termos de fazer uma chamada quando precisamos deles. Desde que tenhamos as suas células estaminais, podemos recriar tecido, e órgãos, e guardá-los até que lhe sejam necessários», acrescenta Abba Zubair.

Mesmo que um cenário destes esteja a décadas de distância, Zubair acredita que a investigação pode ter implicações já num futuro próximo. Diz ele que se as células estaminais conseguirem reproduzir-se significativamente mais depressa no Espaço, os médicos terão como tratar melhor os seus doentes aqui na Terra.

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