O professor do Instituto Politécnico de Leiria Nuno Fonseca desenvolveu um novo software áudio que está a ser testado em seis estúdios de Hollywood, uma tecnologia que considera ser uma «mais-valia» para as grandes produções cinematográficas.

«Essencialmente, o que eu fiz foi agarrar em conceitos que, hoje em dia, já são extremamente usados em computação gráfica e efeitos visuais para cinema, que são os chamados sistemas de partículas», afirmou Nuno Fonseca, explicando que estes sistemas permitem «criar um número enorme de pequenos elementos» para gerar «chuva, pó, fumo ou fogo».

O docente, de 39 anos, de Leiria, adiantou que o trabalho que desenvolveu passou por «utilizar os mesmos conceitos», mas aplicando-os na área do som, conseguindo, dessa forma, «criar milhares de sons ou até milhões de sons em simultâneo».

«Ao fazer esta transição entre uma tecnologia que era utilizada em imagem - e que é até bastante utilizada também em cinema - e ao aplicá-la no domínio do som, passa a ser uma ferramenta completamente nova», declarou, considerando que abre oportunidades para quem “trabalha o som a nível de cinema», que atualmente «continua a ser um trabalho manual».

«Se eu quiser fazer, por exemplo, uma cena de uma batalha, tenho que ir buscar meia dúzia de sons e andar a colocá-los um a um. Com esta ferramenta, posso criar uma cena de uma batalha e dizer que quero criar 50 mil sons espalhados por um quilómetro quadrado e, automaticamente, o sistema trata de tudo isso, criando um efeito completamente diferente do que manualmente estar a tentar criar esse mesmo som», exemplificou.

O docente no departamento de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria e coordenador da licenciatura em Jogos Digitais e Multimédia salientou que, «do ponto de vista de cinema, isto é algo que interessa especialmente às grandes produções cinematográficas».

«Ou seja, quanto maior for a produção cinematográfica mais interessa este ‘software’», disse Nuno Fonseca, referindo que em filmes como «Guerra das Estrelas» ou «Senhor dos Anéis», que «envolve cenários e cenas épicas com muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo, este ‘software’ é muito mais interessante» do que, por exemplo, num filme mais intimista.

Numa nota de imprensa, o Politécnico de Leiria adianta que a nova tecnologia «está a ser testada em seis estúdios de Hollywood, nomeadamente 20th Century Fox, Disney, Paramount Pictures, Sony Pictures, Universal e Warner Bros».

«Está a ser testado porque interessa-me receber o ‘feedback’ dos profissionais de Hollywood sobre o ‘software’, que funcionalidades eles gostariam de ver acrescidas», declarou, Nuno Fonseca, acrescentando que, numa segunda fase, «muito provavelmente» irá criar uma versão comercial da tecnologia.

Segundo a mesma nota de imprensa, uma outra característica desta tecnologia «é a sua capacidade para tirar partido dos sistemas mais recentes de som para cinema, como o Dolby Atmos ou o Auro-3D, alguns dos quais ainda não chegaram às salas de cinema portuguesas”, referindo que, “além da sua aplicação na área cinematográfica, o ‘software’ está atualmente a ser testado por outras organizações, incluindo a Playstation Santa Monica Studios, a BBC, a Turner Broadcasting, a RadioFrance e a Universidade de Stanford».