O Instituto de Telecomunicações foi uma das dez unidades de investigação que, depois de contestarem os resultados da avaliação em curso, passaram a ser candidatas ao grosso do financiamento público para os próximos cinco anos.

Transitaram igualmente para a segunda fase, que dá a possibilidade aos centros de investigação acederem a fundos até 400 mil euros anuais, o Centro de Investigação dos Estudos de Sociologia do ISCTE e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra, de acordo com os resultados finais da primeira fase de avaliação das instituições científicas, hoje divulgados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Tanto o Instituto de Telecomunicações, único laboratório associado que chumbara na avaliação, como o Centro de Investigação dos Estudos de Sociologia do ISCTE e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra tinham baixado, este ano, inicialmente a sua classificação, obtendo um financiamento base até 40 mil euros.

Contudo, as três instituições contestaram os resultados, passando a figurar na lista das dez unidades de investigação, que, depois de corrigidas as classificações, transitaram para a segunda fase.

A mesma sorte não tiveram o Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP) e o Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra (CEMUC), que baixaram igualmente este ano a sua classificação, e que continuam sem direito a qualquer financiamento público nos próximos cinco anos.

O CLUP, que aponta falhas na sua avaliação, que, a seu ver, levaram-no a descer da classificação de «muito bom» para «medíocre», tem alegado que, sem apoios, fecha portas. Uma petição contra «o único centro especializado em linguística do norte do país» foi colocada na Internet.

O CLUP e o CEMUC são dois dos 63 centros de investigação que ficaram excluídos de qualquer financiamento, segundo os resultados finais da primeira fase de avaliação hoje publicados pela FCT, entidade pública que subsidia a ciência em Portugal.

Sem conseguir igualmente alterar a nota, que os manteve num financiamento residual até 40 mil euros por ano, o Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da Universidade de Évora, o Centro de Física da Universidade do Minho e o Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa são, no entanto, possíveis candidatos, em 2015, ao fundo de reestruturação anunciado pelo ministro da Educação e Ciência para estes casos, no valor global de seis milhões de euros.

As três instituições integram a lista de 45 centros científicos com financiamento base garantido, que, apesar de afastados do grosso dos fundos, são «potenciais beneficiários» do Programa Incentivo 2015.

De acordo com os resultados hoje divulgados pela FCT, 45 por cento das 322 unidades avaliadas ficaram excluídas da segunda fase, cujos resultados serão divulgados em dezembro.

A FCT, contudo, salienta que os centros que transitaram para a segunda fase - 178 - representam 71 por cento do universo de investigadores.

Na primeira fase, 131 unidades contestaram as classificações. Os centros que recusem os dados hoje publicados podem voltar a recorrer dos resultados.

A avaliação às unidades de investigação tem sido contestada por membros da comunidade científica, por eliminar quase metade dos centros da maior fatia de financiamento, tendo levado o Sindicato Nacional do Ensino Superior, que representa os investigadores, a apresentar uma denúncia ao Ministério Público, invocando irregularidades e ilegalidades no concurso.

A FCT, que contratualizou a avaliação com a Fundação Europeia para a Ciência, tem apontado ao processo rigor e transparência.