A probabilidade de o calor extremo que se fez sentir em Portugal na primeira quinzena de junho estar relacionada com o aquecimento global aumentou dez vezes, indica um novo estudo.

E os cientistas da World Weather Attribution (WAA), que reúne investigadores de vários países com o objetivo de estudar o papel das alterações climáticas em eventos meteorológicos extremos, avisam: as altas temperaturas vão ser uma realidade dentro de 30 anos se as emissões de carbono continuarem ao ritmo atual.

Encontrámos ligações claras e fortes entre os recordes de calor de junho e o aquecimento global”, disse Geert Jan van Oldenborgh, do Instituto de Meteorologia da Holanda, que integra a WWA.

Portugal não foi caso único, também Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Holanda ou Suíça sofreram com as altas temperaturas registadas em junho, sendo que nenhum vizinho europeu passou por uma tragédia como aquela que Pedrógão Grande viveu no quente sábado de dia 17.

De acordo com a investigação, foram cruzados recordes de temperaturas com software avançado para calcular quanto do aumento de gases de efeito de estufa aumentou as probabilidades de as temperaturas serem mais elevadas.

Foi, assim, possível aferir que a onda de calor que atingiu Portugal e Espanha, e que causou vários incêndios florestais, teve dez vezes mais probabilidades de surgir devido ao aquecimento global.

Esta análise aos eventos extremos mostra que as ondas de calor na Europa tornaram-se mais frequentes e, no sul da Europa, pelo menos 10 vezes mais frequentes. É fundamental que as cidades trabalhem com cientistas e especialistas em saúde pública para desenvolver planos de ação contra o calor. As mudanças climáticas estão a afetar as comunidades", alertou Friederike Otto, da Universidade de Oxford, em Inglaterra, também membro da WWA.