Um implante de uma anca feita numa impressora 3D pode salvar uma adolescente sueca de passar o resto da vida confinada a uma cadeira de rodas. O implante recorre a tecnologias que os médicos garantem que poderão revolucionar o tratamento das piores doenças de ossos.

Fanny Fallesen está a caminho da recuperação. Há apenas dois anos, esta adolescente de 16 anos tinha pela frente uma vida presa à cadeira de rodas, à conta de uma doença degenerativa muito rara: a doença de Recklinghausen, que provoca deformações nos ossos.

«Eu estava muito dependente da ajuda dos meus pais, e da minha cadeira de rodas e das canadianas. Não era tão livre como sou agora, que posso fazer muito mais coisas, lidar melhor comigo própria, sair com os amigos, e usar cada vez menos a cadeira de rodas. Faço caminhadas cada vez mais longas», conta Fanny Fallesen.

A recuperação desta miúda é o resultado de toda uma revolução tecnológica. No caso da anca de Fanny, os tratamentos tradicionais não funcionavam. E portanto, há coisa de dois anos os médicos recomendaram que ela fosse tirar medidas, para que se pudesse imprimir em 3D uma anca personalizada. Ao contrário dos implantes convencionais, a moderna tecnologia de impressão em 3D permite que se recriem as mais variadas partes do corpo, com a garantia de que a anatomia específica de cada paciente será decalcada na perfeição. A nova anca de Fanny foi uma cortesia da empresa belga Mobelife.

«Com o 3D conseguimos criar implantes que correspondem com toda a exatidão à anatomia de cada paciente, mesmo nos casos mais complexos e exigentes. Estes casos são cada vez mais comuns, e implicam constantes revisões: há pessoas a receber implantes cada vez mais cedo, antes mesmo de envelhecer. E portanto é cada vez mais frequente termos de substituir implantes já existentes, corrigir deficiências ósseas complexas, ou resolver consequências graves de tumores», explica Tim Clijmans, diretor-geral da Mobelife.

O implante impresso é criado a partir de uma tomografia especializada, que retrata a exata anatomia dos ossos de cada paciente. O posicionamento de cada parafuso também é próprio de cada paciente, dependendo do estado em que os seus ossos estiverem. O cirurgião de Fanny explica que recebeu da Mobelife instruções muito precisas. E mesmo sendo uma cirurgia muito complicada, em boa verdade todos tinham noção de que era a única hipótese de Fanny poder viver livre da cadeira de rodas.

«Na maioria dos casos conseguimos corrigir perdas ósseas muito graves ao nível da anca com os implantes convencionais, cúpulas, talas e coisas assim. Mas neste caso não havia solução possível... até termos ouvido falar de uns belgas que conseguiam reconstruir um acetábulo à medida da paciente», afirma o cirurgião Urban Rydholm.

Presentemente, os implantes impressos em 3D apenas são usados em casos muito especiais, mas o cirurgião acredita que o futuro será bem diferente.

«Acho que há muitos casos que não são tão excecionais e complexos, mas onde ainda assim esta tecnologia pode ser uma enorme mais-valia», diz ainda o diretor-geral da Mobelife Tim Clijmans.

Para já o prognóstico de Fanny é o mais positivo possível. É provável que a evolução da doença acabe por lhe afetar a coluna, e depois parte da perna esquerda. Mas por enquanto Fanny está otimista: «Tenho fé num futuro em que poderei dispensar as canadianas e andar sem a ajuda de mais ninguém».

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