Tendo em conta o contexto recente de ataques terroristas neste verão, é difícil acreditar que os seres humanos pertencem a uma espécie naturalmente bondosa. Mas essa é a conclusão de um estudo que revela que grupos de seres humanos não entram tanto em conflito entre si, como acontece com outros primatas. Cientistas norte-americanos e alemães descobriram que os seres humanos são muito mais abertos a explorar relações com estranhos, o que os ajuda a garantir recursos limitados e podem ter ajudado os antepassados prosperar.

De acordo com o Daily Mail, o estudo foi desenvolvido por investigadores da universidade norte-americana de Santa Bárbara, na Califórnia, e do Max Plank Institute for Evolutionary Anthropology, centro de pesquisa alemão direcionado para questões relativas às origens da Humanidade e aos diversos aspetos da Evolução. 

"Comparados com outros mamíferos, somos bastante tolerantes em relação a outros grupos, o que pode ser difícil de compreender tendo em conta os acontecimentos de Dallas, Orlando, Nice e da Bavária", referiu Anne Pisor, uma das investigadoras do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, citada pelo Daily Mail.

"Há bastantes evidências arqueológicas e etnográficas que comprovam o contacto amigável entre seres humanos de diferentes etnias, religiões ou meios de subsistência (…). A questão é: como é que essas relações começaram”, perguntou a cientista.

Aliando a sua tese à do cientista Michael Gurven, professor do departamento de Antropologia da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia, Anne Pisor sugere que foi a necessidade de se prevenir de certos riscos e melhorar o acesso a recursos, sejam eles alimentos, roupas, abrigo, companheiros, ou mesmo informações úteis, que obrigaram os seres humanos a estabelecer o contacto amigável.

No passado evolutivo do Homem, esses recursos limitados nem sempre estavam disponíveis na própria comunidade local, mas amizades através das fronteiras do grupo poderiam fornecer o acesso, explicaram os dois cientistas. E o mesmo acontece nas cidades modernas, onde muitas vezes as pessoas sabem de oportunidades de emprego através de amigos ou conhecidos distantes, acrescentaram Anne Pisor e Michael Gurven.

"A mesma psicologia que se aplicava quando se construíam amizades entre grupos no passado deve prevalecer no trabalho hoje", explicou Anne Pisor.

Para explorar o fenómeno, os dois cientistas estudaram três pequenas populações de agricultores na Bolívia.