O computador veio juntar-se à televisão e aos jogos de cartas na ocupação dos tempos livres de muitos idosos do concelho da Guarda, que receberam formação específica no âmbito de um projecto desenvolvido pela Câmara Municipal, escreve a Lusa.

A autarquia está a promover a utilização do computador junto dos idosos dos lares e centros de dia do concelho, com o objectivo de combater a exclusão social e tecnológica, a solidão e o isolamento.

«Informática para todos»

No âmbito do projecto «informática para todos», mais de cem idosos já receberam formação específica e as instituições que os acolhem foram contempladas com computadores equipados com câmara web.

O presidente da Câmara da Guarda, Joaquim Valente, disse à Lusa que o projecto tem como objectivos «promover o acesso às novas tecnologias por parte dos idosos, um grupo em situação de exclusão social e tecnológica».

«A criação de uma rede de contactos que permita combater a solidão e o isolamento social e promover a comunicação no contexto das famílias, atendendo que muitos idosos têm familiares e amigos longe, nomeadamente no estrangeiro», são outros dos propósitos da iniciativa.

Segundo o autarca, o programa irá continuar porque é importante que os mais velhos «sintam que ainda são úteis e são cidadãos de pleno direito».

Os cursos de informática ministrados pela autarquia incidiram sobre processamento de texto, utilização da Internet, criação de e-mail e utilização do Messenger para comunicação vídeo e áudio.

No Centro de Dia da localidade de Marmeleiro, propriedade do Centro Cultural e Social, cinco dos 27 utentes já utilizam o computador no dia-a-dia.

«Matar» o tempo livre

O equipamento, com ligação à Internet, permite que os idosos «matem» algum do tempo livre, entre uma espreitadela na televisão, um jogo de cartas ou um ensaio no grupo de cantares.

A directora técnica da instituição, Sílvia Pereira, explicou à Lusa que foi criada uma sala de informática, com quatro equipamentos, onde os utentes escrevem textos, navegam na Internet, enviam mensagens de correio electrónico e falam com familiares que estão ausentes no país ou no estrangeiro.

Garantiu que os idosos que participaram no projecto «informática para todos» já utilizam as novas tecnologias e «estão bastante entusiasmados» com a experiência.

«Precisam de algum tempo, mas já estão a dar os primeiros passos, o que me parece ser o mais importante», disse.

«Máquina» não «mete medo»

José Marques Escada, 77 anos, afirma que a «máquina» [computador] que descobriu «na velhice» já não lhe «mete medo».

«Já vou indo. Gosto muito de escrever no computador e hei-de aprender muito mais», disse o septuagenário que admite a possibilidade de «comprar um» para ter em casa.

Júlia da Conceição, 82 anos, assegura que ainda tem «paciência» para os computadores e diz que tenciona utilizar a câmara web para «falar com o neto» que se encontra no estrangeiro.

«Sempre fui amigo de ler e de escrever» atira Raul Afonso, 88 anos, que, apesar da idade, ainda faz questão de aprender a utilizar as novas tecnologias.

A dinamização do computador e da Internet junto das instituições particulares de solidariedade social do concelho da Guarda também está a ser feita pela Pró-Raia - Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro Norte.

A associação já entregou 27 computadores no âmbito do projecto "avósn@net", que visa possibilitar o acesso à Internet e às novas tecnologias da informação, por parte da população idosa do concelho.