Os médicos juntaram-se e criaram um novo guião sobre o álcool na gravidez: deve a grávida beber ou não na gravidez e, se sim, quando (de modo a acabar com as dúvidas e os medos das mulheres).

A pergunta é obrigatória a qualquer ginecologista/obstetra quando questiona uma mulher sobre os seus hábitos uma vez detetada uma gravidez. 

«Costuma beber?»
«Quanto é que costuma beber»


E é aqui que agora reside a diferença na orientação dada pelo Royal College of Obstetricians and Gynaecologists britânico, que vem atualizar a versão anterior. Se até agora era defensável que um ou dois copos de vinho durante os primeiros meses de gravidez, os obstetras e ginecologistas britânicos vêm dizer agora às grávidas que, afinal, beber álcool no primeiro trimeste é que é mesmo desaconselhado e que, depois, beber um ou dois copos para relaxar já não faz mal nenhum às mães e às crianças. 

Exceder essa quantidade recomendada é que pode afetar o desenvolvimento do bebé, em particular a forma como se desenvolve no útero, bem como o desenvolvimento do cérebro. Atenção, que uma caneca de cerveja com 5.2% de volume de álcool excede três vezes a unidade recomendada.

«Durante o ínicio da gravidez, a atitude mais segura a tomar é deixar totalmente o álcool e depois do primeiro trimestre, se pretender beber, deve manter a quantidade recomendada. O mesmo se aplica para as mulheres que se encontram no período de amamentação. Reduzir ou parar de beber seja em que altura for da gravidez pode fazer a diferença para o bebé. No entanto, em alguns casos a situação pode já não ser reversível», afirma um dos membros do RCOG, Philippa Marsden, citada pelos media.


Os Estados Unidos mantêm a recomendação de total abstinência, recorda a BBC.

Todos os anos nascem cerca de seis mil bebés por ano, no Reino Unido, com algum problema relacionado diretamente com o álcool.

Mais permissivos, os ingleses defendem, no entanto, que « é possível dizer que a quantidade de álcool que uma  mãe pode beber varia de mulher para mulher e, por isso, o seu conselho para as mães é não perder uma única hipótese de ter um bebé saudável, ou seja, abolir totalmente as bebidas com álcool», defende Simon Newell.A chefe-executiva do serviço de aconselhamento de gravidez britânico, Ann Furedi, chama a atenção para a ansiedade que o guia pode causar a algumas mulheres.


«O guia pretende dar conselhos a algumas mulheres que bebem álcool durante a gravidez. Mas, o facto é que muitas das gravidezes não são planeadas e é procupante ver mulheres que por estarem demasiado preocupadas com os danos que podem ter provocado ao bebé considerem pôr fim à gravidez e abortar. O guia deixa claro que, após os primeiros três meses, não há nenhuma evidência que prove que os baixos níveis de álcool tenham danos no bebé, por isso as mulheres que gostam de relaxar com uma taça de vinho, uma ou duas vezes por semana, não se devem sentir culpadas por fazê-lo», afirma Ann Furedi