A meta é entregar melhor informação e conteúdos às pessoas. Para lá chegar, dois caminhos: fornecer os conteúdos informativos de forma mais direcionada, segundo os interesses dos leitores, por um lado; e o mesmo com a publicidade, para que seja igualmente mais relevante e não intrusiva. Este é o objetivo do Nónio. É um projeto pioneiro em Portugal, integrado por seis grupos de comunicação social - , Media Capital, Cofina, Impresa, Global Media, Renascença e Público - que têm 70 sites de informação e entretenimento e que pretendem concorrer mais facilmente com gigantes da Internet como o próprio Google e Facebook.

Se lê, ouve ou vê notícias na Internet, tem de passar a conhecer o Nónio. O processo é fácil, mesmo bastante simples, como explica o diretor-coordenador da Media Capital Digital, Ricardo Tomé.

Ao fazer registo na plataforma Nónio, com uma vez apenas a pessoa fica automaticamente registada nos 70 sites. Com esse login único, o consumo passará a ter uma maior recomendação de conteúdos para a pessoa e anúncios mais direcionados”.

Ou seja, ao consultar o site da TVI24, por exemplo, e se fizer o registo, quando esse mesmo utilizador entrar no site do Público, o jornal já sabe quem é aquela pessoa porque esteve na página da TVI24 antes. O projeto é colaborativo, pressupõe a partilha de dados entre os seis grupos envolvidos.

Talvez a primeira pergunta que lhe surja é: então e garantem a segurança dos meus dados? “Nenhum projeto destes poderia avançar sem que houvesse garantia da segurança dos dados. A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) também está a acompanhar”, assegura o mesmo responsável da Media Capital Digital.

O administrador do Grupo Renascença José Ramos Pinheiro reforça isso mesmo: "Os meios de comunicação são principais interessados para que não haja abusos de qualquer espécie. Google e Facebook conhecem muito mais, mas muito mais de tudo o que fazemos, somos e pretendemos do que alguma vez com os poucos elementos de registo que vamos pedir aos cibernautas será possível concluir”.

Este responsável assegura que estes seis grupos de comunicação social “não vão saber tudo o que essas plataformas sabem, mas será possível direcionar melhor conteúdos e publicidade. Não vai ser intrusivo e sim pedagógico”. José Ramos Pinheiro está confiante que “as pessoas vão perceber a importância de se registarem”.

"Se soubermos mais sobre os utilizadores, conseguimos dirigir mais facilmente e facilitar-lhes a vida. Para nós também é importante para direcionar melhor a publicidade: se há um tipo de produtos que para alguém não tem particular interesse, vamos afastá-lo desse tipo de leitores”, corrobora o diretor do Público, David Dinis.

É muitíssimo importante que grupos de comunicação social tenham situações mais estáveis. Partilhar dados connosco e nós entre nós é um muito pequeno preço para um bem que é comum e muitíssimo maior”.

O diretor-coordenador da MCD, Ricardo Tomé, está otimista quanto à recetividade dos consumidores de notícias. “Acredito que em três meses teremos essa base de dados conquistada. É uma das vantagens de trabalharmos em equipa junto com os portugueses que confiam na seriedade de todas as marcas de entretenimento e informação aqui envolvidas”.