Mais de 50 locais, entre monumentos, castelos ou paisagens, já podem ser "visitados" virtualmente, por qualquer cibernauta, em todo o mundo, através de um instrumento da Google, uma forma de valorizar a cultura e o turismo de Portugal.

O projeto "Maravilhas de Portugal", apresentado esta segunda-feira em Lisboa, é uma iniciativa da Direção-Geral do Património Cultural e da multinacional Google, e junta tecnologia, cultura, promoção turística e cultural, numa projeção que o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, espera que "possa valorizar, por um lado, a cultura por si só e, por outro, as visitas a Portugal".

"A importância [deste projeto] é muito grande, sendo a Google o maior motor de busca do mundo", disse Jorge Barreto Xavier, realçando "a possibilidade [de ter], com o pormenor e o detalhe, uma visita a 360 graus, ao conjunto dos 57 monumentos que, a partir de hoje, estão disponíveis ‘online’ para todo o mundo".


O governante falava aos jornalistas, na Torre de Belém, um dos monumentos da lista a visitar, no final da apresentação dos novos locais disponibilizados no projeto de digitalização do património português, que, desde 2012, permite visualizar pontos de interesse cultural, natural e arquitetónico.


Alguns dos monumentos a visitar virtualmente


Mosteiro dos Jeróminos, Palácios de Queluz ou da Pena, Baixa Pombalina, Praça do Império, Sé da Braga, Muralhas da Vila de Óbidos, Castelo de Guimarães, Mosteiro da Batalha, Alto Douro Vinhateiro ou a Serra da Estrela são alguns dos locais que podem ser vistos, em imagens visita virtual, a partir da página de internet da Google ou da Google Maps.

O projeto, no entanto, prossegue e o secretário de Estado anunciou que "vai haver uma outra fase, agora a ser trabalhada, da valorização das peças" dos museus nacionais.

"Já estamos a trabalhar com várias instituições culturais do país, como a Galeria de Arte Urbana de Lisboa Festival de Arte Urbana da Covilhã ou Museu Berardo", avançou a responsável pela gestão dos programas do Instituto Cultural da Google, Luisella Mazza.

Jorge Barreto Xavier salientou que o Estado não interferiu "diretamente" na referenciação e escolha dos monumentos.

"O investimento do Estado português é essencialmente de acompanhamento técnico de valorização da presença e de referenciação daquilo que achamos serem os monumentos mais importantes", realçou.

No discurso, perante uma assistência que incluía representantes da área cultural e do turismo, assim como alguns presidentes de câmaras municipais, Barreto Xavier defendeu que, "por mais valiosas que sejam as possibilidades de acesso à informação e ao conhecimento através de redes digitais, nada substitui a plenitude de fruição de um bem cultural ou natural numa visita ao próprio local", como reporta a Lusa.

No entanto, considerou que, tanto as componentes estritamente culturais, como a ligação com matérias educativas, turismo, ambiente e economia, "têm a ganhar" com o novo projeto da Google.

Jorge Barreto Xavier espera, como realçou, com a Google e com outros parceiros, "poder contribuir para melhorar os mecanismos de acesso legal a conteúdos, combatendo o 'download' ilegal e a pirataria informática, nocivos para os detentores de direitos de propriedade intelectual e para a economia".