Uma equipa de investigadores sequenciou, pela primeira vez, o genoma de um antepassado dos nativos americanos com cerca de 12.600 anos, e confirmou a teoria de que estes povos indígenas são originários da Ásia e não da Europa.

Apesar de a maioria dos especialistas acreditar que uma grande parte destas comunidades é originária de uma vaga de imigração de tribos do continente asiático, os primórdios dos povos nativos que habitavam o atual território dos Estados Unidos da América continuam a suscitar debate no seio da comunidade científica.

Os ossos humanos analisados pela equipa de Eske Willerslev, geneticista do Museu de História Natural da Dinamarca, são provenientes de Anzick, no Estado de Montana (noroeste dos Estados Unidos), e estão «diretamente associados a ferramentas [da cultura] Clovis [um local arqueológico descoberto no início da década de 1930 com diversos indícios construídos segundo a mesma técnica]», segundo os investigadores.

Estas ossadas foram descobertas em 1968 em mais de uma centena de objetos, incluindo pontas de lanças e ferramentas construídas a partir de chifres de animais.

Trata-se do local funerário mais antigo descoberto até à data na América do Norte e o único da cultura Clovis.

Os testes mostraram que os ossos pertenceram a uma criança do sexo masculino, que teria na altura da morte um ano a 18 meses de idade. Os restos mortais terão cerca de 12.600 anos.

Os investigadores conseguiram sequenciar o genoma completo, que foi batizado como «Anzick-1».

Os resultados da investigação, hoje publicados na revista científica britânica Nature, mostram que «Anzick-1» está «mais estreitamente relacionado a todas as populações nativas americanas de hoje do que a qualquer outra população do mundo», disse Eske Willerslev, durante uma teleconferência realizada esta quarta-feira e de que a Lusa dá conta.

«Assim, os atuais nativos americanos são realmente descendentes diretos das populações que fizeram e usaram as ferramentas Clovis e enterraram esta criança», asseguraram os investigadores.

«Os dados genéticos de Anzick-1 confirmam que os antepassados deste rapaz eram originários da Ásia», concluiu Eske Willerslev.