A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, em francês), em Genebra, Suíça, abriu este sábado pela primeira vez as suas portas ao público em geral, depois da descoberta do Bosão de Higgs, esperando milhares de visitantes este fim de semana.

No Open Days que hoje têm início, as galerias subterrâneas serão abertas ao público, já que o famoso acelerador de partículas (LHC), que permitiu a descoberta do padrão do Bosão de Higgs, não está em funcionamento, mas em fase de manutenção até 2015.

A organização espera uma enchente de visitantes depois do anúncio da descoberta, em março de 2013, do padrão do Bosão de Higgs, uma partícula elementar que permite explicar a origem da massa das outras partículas elementares.

«Pensávamos que [a investigação] iria demorar 10 anos, mas bastaram três anos», declarou o diretor-geral do CERN Rolf-Dieter Heuer.

Alguns dos 205 colaboradores portugueses do CERN explicam à Lusa a necessidade e as ventagens deste tipo de evento para o centro de investigação.

«O objetivo do Open Days é abrir o laboratório ao publico (...) para que as pessoas vejam e percebam o que se faz com dinheiros públicos, e para evitar secretismos ou mensagens erradas», disse à Lusa José Carlos Rasteiro da Silva, engenheiro responsável do detetor ECAL da experiencia CMS.

«Tem havido muita publicidade por todo o mundo, mas poucos são os que tiveram a oportunidade de vir ver o laboratório», salienta.

O dia de hoje é uma oportunidade para os curiosos conhecerem «algo de que ouvimos falar» comentou Eduardo Rodrigo, jovem físico que trabalhou na experiencia.

A organização espera também a presença de portugueses. «A maior parte são escolas do ensino secundário, cujos professores participaram ou querem participar no programa de professores de língua portuguesa», revelou o físico André David Tinoco Mendes.

Além disso, as visitas são uma boa oportunidade para os próprios colaboradores do CERN conhecerem outras experiências no centro.

O CERN existe desde 1954 e conta com 24 projetos em curso. É dirigido por 20 estados-membros europeus, mas outros países não europeus, como Estados Unidos e Japão, participam em projetos de investigação comuns.

O acelerador de partículas está em manutenção até 2015, ano em que novas experiências com maior nível de energia irão decorrer, como conta a Lusa.

A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, em francês) junta 205 cientistas portugueses em Genebra, naquele que é o maior centro de pesquisa em física de partículas do mundo.

«Portugal é um país pequeno, mas um país visível no CERN através dos seus cientistas e engenheiros», disse à Lusa Rolf-Dieter Heuer, diretor geral do CERN.