Na maior feira europeia de videojogos, a Gamescom, em Colónia, Alemanha, o NXT esteve à conversa com James Armstrong, vice-presidente da Sony para o sul da Europa e gestor para Espanha e Portugal. Uma entrevista exclusiva que passou por desvendar aquele que poderá ser o futuro dos videojogos e, em particular, o futuro do mercado no nosso país.

Num momento em que a PlayStation comemora a venda de 10 milhões de consolas PS4 em seis meses, Armstrong afirmou que Portugal é mesmo o melhor mercado de todos.

«Portugal ainda é o melhor mercado de todos, e vai continuar a sê-lo. É onde tudo nos corre pelo melhor, seja em termos de quota de mercado, seja em termos de valor de marca. É o nosso melhor território», disse.

O segredo para o sucesso? 

«Quando me mudei para o ramo dos jogos [originalmente trabalhava na indústria cinematográfica] uma das apostas que fizemos foi na localização dos jogos em português. Acho mesmo que Portugal foi o melhor exemplo, o primeiro à margem dos grandes mercados onde o fizemos. E fomos muito, muito bem sucedidos», explicou.

Uma vez que a Playstation tem levado as produtoras independentes muito a sério Armstrong não vê razão para que os indies portugueses não possam ter a sua oportunidade no ramo. Mais, o responsável da Sony adianta que a marca vai mesmo apostar na produção «made in» Portugal.

«Vamos investir no desenvolvimento em Portugal. Acredito que, como empresa, é algo que devemos fazer. Uma das nossas apostas passa por criar uma comissão que dê trabalho às empresas portuguesas», adiantou.

A aposta na produção independente tem sido uma prioridade para a empresa pois, segundo Armstrong, os indies «são uma alternativa, uma boa oportunidade para que os consumidores usufruam de muitos mais jogos». 

Mas será que se pode dizer que os indies têm uma abordagem especial ao «gaming» comparativamente com os grandes estúdios? «Não, na verdade o que sucede é que conseguem ter mais produtividade, na medida em que são mais baratos», explicou.

E um responsável da PlayStation como Armstrong ainda consegue ter tempo para jogar? «Não tenho de facto muito tempo para jogar. Vejo muito a minha equipa: são eles que me dizem que jogos valem a pena ou não. Mas dedico bastante tempo a tentar compreender os conteúdos», referiu.

A importância do «gaming» como negócio já deixou de ser uma coisa de miúdos há algum tempo. Explicar a importância da indústria às pessoas pode não ser uma tarefa fácil.

«Os gamers originais tinham 15 ou 20 anos, e agora têm 50 alguns até 60 anos, como eu. Quero dizer, temos aqui uma indústria bem consolidada. E acho que vai continuar a crescer», afirmou.

E como será o futuro dos videojogos? «Vejo-os antes de mais a tornarem-se na indústria de entretenimento predominante. Penso que se tornará maior que o cinema e a música, muito mais interativa, associada à tecnologia. Acredito que é o futuro do entretenimento e que continuará a crescer», adiantou.