Depois das primeiras imagens de uma explosão de estrelas distorcidas por um aglomerado de galáxias, foi agora vez dos astrónomos confirmarem visualmente a teoria da relatividade de Albert Einstein, através do telescópio espacial Hubble.

As fotografias mostram quatro pontos de luz provenientes de uma única explosão de supernova, efeito previsto há mais de um século pelo mais famoso cientista do mundo. Os quatro pontos são resultado de uma massa de matéria escura escondida no interior da luz proveniente da dobra da galáxia da supernova.

Patrick Kelly, da Universidade «Berkeley», na Califórnia, esclareceu que cada um dos pontos de luz seguiu caminhos diferentes no espaço que são afetados pela falta de matéria (matéria escura, invisível aos olhos, que compõe a maior parte do universo), explicação que é apoiada pelas agência espaciais americanas (NASA) e europeia (ESA).

«O efeito é semelhante a vários comboios a sair da estação ao mesmo tempo, mas seguindo rotas diferentes, uns mais lentamente que outros (consoante a falta de matéria escura), mas com o mesmo destino final», explica um dos autores do estudo publicado no jornal «Science», Steve Rodney.


A teoria da relatividade geral de Einstein previu que as densas concentrações de matéria no universo exercem uma tão forte atração gravitacional na luz que passa através dela, que a luz se dobra como uma lente num par de óculos.


Embora a primeira lente gravitacional só tenha sido descoberta em 1979 e posteriormente tenham sido confirmados objetos luminosos como galáxias e quasares, esta foi a primeira vez que foi encontrada uma luz tão intensa emitida por uma explosão estelar, neste caso a supernova que ocorreu a uma distância de 9.3 biliões de anos-luz.

Os astrónomos estão a trabalhar nas imagens recolhidas pelo telescópio Hubble. A 11 de novembro foram vistos os primeiro quatro pontos de luz, dispostos como uma cruz, a 5 biliões de anos-luz e alguns dias ou semanas mais tarde foram captadas as imagens de quatro supernova, captadas pelo Hubble. Desde então, têm analisado as imagens com outros telescópios. 

«Realmente deu-me um 'loop' quando avistei as quatro imagens em torno da galáxia, foi uma completa surpresa. Chegámos a ver a supernova quatro vezes e medimos os atrasos de tempo entre a sua chegada em diferentes imagens. Espero aprender alguma coisa sobre a supernova e o tipo de estrela que explodiu, bem como sobre as lentes gravitacionais», acrescentou Patrick Kelly.