Cerca de 50 agentes da PSP, em cooperação com agentes da Autoridade Tributária, estão a realizar esta quarta-feira uma operação de fiscalização rodoviária em todo o Grande Porto, com recurso a uma tecnologia que batizaram, informalmente, de «Polícia Automático».

A inovação, apesar de introduzida em 2008 em alguns carros da PSP e GNR de todo o país, nunca tinha sido utilizada numa operação de grande envergadura. Consiste numa câmara de captação de matrículas para cruzamento de dados em tempo real, que permite aos agentes de segurança averiguar, em plena circulação rodoviária, o registo e cadastro de qualquer veículo que os rodeie.

A operação, com a duração estimada em 12 horas, tem como principal objetivo «detetar viaturas que constam para apreender por motivos de dívidas fiscais, por falta de regularização de propriedade, furto e outros motivos análogos», disse à agência Lusa o comissário Ricardo Matos, da Divisão de Trânsito do Comando Metropolitano da PSP/Porto.

O requinte e eficácia do mecanismo de deteção de matrículas é de tal forma avançado que permite registar e consultar, num ecrã montado no interior das viaturas policiais, várias matrículas por segundo, num ritmo muito superior ao praticável por seres humanos e independentemente das condições atmosféricas e de luz existentes, dada a opção de infravermelhos da câmara que deteta até carros estacionados em stands automóveis ou simples algarismos dispersos em placas rodoviárias.

Bastaram alguns minutos dentro da viatura de uma das brigadas de trânsito da PSP/Porto equipadas com um «Polícia Automático» para que a agência Lusa testemunhasse a identificação imediata de duas viaturas em situação de potencial infração do Código da Estrada e uma por possível furto.

Se no primeiro caso o veículo foi sinalizado por circular com ordem de apreensão, procedendo-se à consequente perseguição, ordem de paragem e seguimento dos trâmites processuais com vista à captura, já os dois casos seguintes reportavam-se a situações falta de seguro automóvel atualizado e furto que já estavam resolvidas, pelo que se procedeu à atualização da base de dados que os sinalizou e que abarca todo o espaço europeu Schengen.

A operação de hoje está a ser realizada por brigadas de trânsito oriundas de todo o país, embora circunscrita aos concelhos do Porto, Gaia, Matosinhos e Maia, dada a inclusão de sistemas de «Polícia Automático» em apenas duas viaturas do comando metropolitano da PSP/Porto, um equipamento de um valor que ronda os 10 mil euros e que requer a cooperação a nível nacional para uma cobertura local eficiente.

Ainda assim, segundo o comissário da PSP Ricardo Matos, «não seria o ideal, nem o adequado» que todas as viaturas estivessem equipadas com esta tecnologia de deteção de matrículas, visto tratar-se de um sistema que «existe para ser utilizado não de forma sistemática, mas de forma regular, para que haja um maior controlo do Estado relativamente às viaturas que circulam nas nossas vias públicas».

As principais mais-valias desta tecnologia passam por «um policiamento mais eficaz e mais célere, que vai ao encontro das viaturas que realmente se encontram em situação irregular», considerou o comissário Ricardo Matos.

«Vamos ao encontro das viaturas que queremos e quando queremos», frisou, aludindo à economia de meios que o «Polícia Automático» acaba por permitir.