Theodore Olson, um dos advogados que representa a Apple na batalha contra o governo dos Estados Unidos, alertou esta sexta-feira, em declarações à cadeia de televisão CNN, que a derrota da empresa tecnológica no braço de ferro com aquele país conduziria a um “estado policial”.

Pode imaginar-se diferentes agentes da ordem a dizerem à Apple que querem um novo produto para aceder a algo. Inclusive um juiz estatal poderia pedir à Apple que desenhe algo. Não haveria fim. Conduziria a um estado policial.”

Os serviços de inteligência norte-americanos (FBI) querem que a Apple lhes dê acesso ao dados no telefone do homem que matou 14 pessoas em São Bernardino, na Califórnia. A ordem para piratear o telefone de Syed Farook foi assinada por um juiz no dia 16 de fevereiro.

Em causa está uma ferramenta de segurança de que os aparelhos da Apple foram munidos após o escândalo Edward Snowden, sobre o acesso às comunicações por parte do governo.

A Apple criou um sistema de encriptação da informação a que só os clientes têm acesso, mediante a sua password de bloqueio do ecrã do telefone. Ao fim de dez tentativas sem acertar na senha, os dados são automaticamente destruídos. O FBI quer que a Apple permita tentativas ilimitadas de acesso aos dados do telefone.

Syed Rizwan Farook e Tashfeen Malik mataram 14 pessoas durante uma festa num centro comunitário, a 2 de dezembro de 2015. O casal acabou por morrer nessa mesma noite, mas as eventuais ligações a células terroristas continuam a ser investigadas.