Mais de um terço dos eleitores para as europeias de 25 de maio tem uma conta ativa no Facebook e os partidos sabem disso, tentando captar novo eleitorado nas redes sociais, alerta uma especialista em comunicação política na Internet.

«Nas últimas eleições europeias [em 2009], o Facebook tinha 100 milhões de utilizadores. Agora, há mais de 1,3 mil milhões. Mais de um terço dos eleitores na União Europeia estão no Facebook», sublinha Elizabeth Linder em declarações à agência Lusa.

Linder mudou-se há três anos de Silicon Valley para a Europa e desde então tem-se reunido com inúmeros políticos e líderes da sociedade civil em locais muito distintos do mundo, sempre focada na comunicação política no Facebook, onde trabalha como especialista de política.

Em Portugal, e na antecâmara das europeias do fim do mês, há vários tipos de presença no Facebook de entre as 16 candidaturas ao Parlamento Europeu: das mais presentes às inexistentes, daquelas que funcionam num registo de comunidade, com «fãs», a outras mais de cariz pessoal, onde os candidatos têm de aprovar ou não novos amigos com quem possam interagir.

De entre as páginas comunitárias, o cabeça de lista PSD/CDS-PP, Paulo Rangel, é o que junta mais fãs: são mais de dez mil os seguidores da sua página, onde a maioria dos conteúdos passa por apontamentos saídos na imprensa e pontuais textos, curtos e concisos, sobre pontuais temas da agenda mediática. Nuno Melo, número quatro da lista e primeiro nome do CDS-PP, tem também perto de dez mil «fãs» virtuais.

A Aliança Portugal, nome da coligação PSD/CDS-PP às europeias, tem também uma página nesta rede social e apresentou o seu manifesto em forma de pequenas mensagens, adaptáveis à rede social Twitter.

Já Francisco Assis, cabeça de lista do PS, não tem uma página oficial no Facebook, apostando os socialistas na página do partido na rede social para partilhar os momentos mais decisivos das suas ações de campanha.

À esquerda, o número um da lista da CDU, o comunista João Ferreira, tem uma página pessoal de amigos, embora com muito conteúdo político, enquanto a cabeça de lista do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, tem mais de seis mil seguidores e intercala momentos políticos com imagens ou apontamentos num registo mais descontraído.

Para Elizabeth Linder, há elementos que fazem a diferença entre uma página eficaz no Facebook e uma que não o seja: começar o contacto com o eleitorado cedo, bem antes dos períodos eleitorais, é uma opção essencial, e «personalizar» os conteúdos é também importante para um melhor retrato da personalidade do candidato, diz à Lusa.

«Alguns líderes políticos europeus estão a marcar bem a sua presença no Facebook, não porque o "online" é a nova moda mas porque é onde as pessoas estão ativas. Por exemplo, recentemente todo o governo dinamarquês juntou-se para responder a perguntas de cidadãos no Facebook», realçou a especialista.

Martin Schulz, Angela Merkel e Herman van Rompuy são exemplos dados por Linder de políticos com uma boa gestão da sua página no Facebook. Van Rompuy, por exemplo, é elogiado por «incorporar interesses pessoais» na sua página, como a leitura.

Regressando a Portugal, com foco nas restantes candidaturas que não elegeram eurodeputados há cinco anos, apenas Rui Tavares, eleito eurodeputado em 2009 nas listas do BE e agora candidato pelo Livre, se destaca, com mais de quatro mil seguidores e regulares partilhas de textos.

José Manuel Coelho, madeirense do PTP, tem também alguns seguidores (mais de dois mil), mas depois há exemplos como o de Paulo Casaca, do PDA, ou Leopoldo Mesquita, do PCTP/MRPP, que têm uma página pessoal onde têm de aprovar os amigos que aceitam ter no seu grupo de contactos, ou Eduardo Welsh, candidato pelo PND, seguido numa página comunitária por menos de 150 pessoas.

Alguns cabeças de lista de partidos concorrentes às europeias não foram detetados pela Lusa no Facebook, como por exemplo Carmelinda Pereira, do POUS.